Oriente Médio

Censura e distribuição de filmes no Irã

Por Yuska Ferreira

Como nos honra a presença auspiciosa dos nossos convidados mais amados, cuja presença efervescente purifica este centro de arte e cultura. Verdadeiros inimigos do hábito do fumo e entusiastas da saúde do corpo e da mente. Quão gratos estamos em testemunhar preciosa companhia ajudando-nos a mantera delicadeza dos hejabs, um sinal de respeito a dignidade islâmica.  (Aviso na entreada da casa de esétáculos Vahdar Hall)

O cinema iraniano sempre esteve muito ligado e vulnerável as mudanças políticas ocorridas no país, mudanças políticas que têm sido bastante conturbadas nas últimas décadas. No governo do xá Reza Pahlevi a economia estava mais aberta aos países estrangeiros, logo o país também tinha mais influência ocidental. Com a queda do xá e a revolução islâmica começaram a haver grandes mudanças econômias, sociais e culturais no país, a então  Repúlblica Islâmica do Irã (RII).

Uma das mais importantes instituições desenvolvidas pelas politícas culturais do Iran  para o fomento da produção cinematográfica no país foi o Kanun : Instituto apara o Desenvolvimento Intelectual da Criança e do Adolescente (Kanun-e Parvaresh Fekri-ye Kudankan va Nowjavanan). A instituição tinha como principal objetivo desenvolver a liberdade dos artista em suas produções e tinha como público os jovens.

Criado pela mulher do xá Reza Pahlevi, a princesa Farah, o instituto motivava a leitura, as artes como pintura e teratro, mas em pouco tempo o cinema ganhou destaque em sua produção em detrimentos de outros setores. Em 1966 o cineasta Kiarostami toma a frente do departamento de cinema convidado por Ebrahim Forouzesh diretor do instituto. Esse período que vai de meados de 1966 até 1979 (um pouco antes da revolução, foi o período mais produtivo do instituto, os filmes geralmente não eram para crianças , mas sim sobre crianças, destacam- se nesse período o filme: The Bread and the street (1970), primeiro filme de Kiarostami,e os cineastas Bahram Beizaie, Xáid-Sales e outros que também começaram suas carreiras como cineastas realizando filmes através da instituição.

O segndo período do Kanun vai do ínicio da revolução até 1990, os principais cineastas desse período foram Kiarostami, Amir Naredi , entre outros, seus filmes tinham geralmente temáticas socias. Já no terceiro período o controle da censura ficou maior e muitos cineastas resolveram optar por produções independentes.  No primeiro período o Kiarostami e Forouzesh eram quem aprovavam os roteiros, já no segundo e terceiro período era o Ministério da Educação.

Com a revolução Islâmica muitas salas de cinema foram acusadas de “centro de corrupção”, 180 salas foram fechadas, algumas queimadas  outras tiveram que mudar de nome. Em 2000 havia 300 salas de cinema no país, com 68 milhões de habitantes, já na época de Pahlevi haviam 400 salas para 30 milhões de habitantes.

O primeiros anos  pós- revolução foi desencorajador para muitos cineastas a produção nacional caiu muito, mas aumentou a importação de filmes

País                                                            1983                                                    1984

URSS                                                             28                                                        29

EUA                                                              12                                                         24

Itália                                                             16                                                         20

Reino Unido                                                   9                                                         15

França                                                            6                                                           5

Iugoslávia                                                       6                                                           1

Japão                                                              4                                                           5

Coréia do Norte                                             2                                                           2

China                                                              1                                                           3

Austrália                                                         1                                                          2

Total                                                              85                                                       106

Já existiam na constituição no começo da revolução Islâmica os seguintes artigos:

O Artigo 24 da constituição afirma que a mídia “é livre para apresentar qualquer matéria, exceto aquelas nocivas ao s principios fundamentais do Islã ou aos direitos do público”

O Artigo 175 afirma que “a liberdade de expressão e disseminação de pensamentos no rádio e na televisão na Repúbluca Islâmica do Irã devem estar de acordo com os critérios islâmicos e com os interesses do páis.

Mas vários filmes eram censurados sem uma explicação, ou motivo claro, inclusive filmes que já tinham sido exibidos no país tinham de ser “purificados”, tinham cenas cortadas ou eram reefilmados, para serem exibidos novamente, ou simplesmente, mesmo com os ajustes eram proibidos. Depois de muitos pedidos e reinvidicacões por parte dos cineastas foi publicada em 1996 uma regulamentação sobre os limites dos diretores no filme:

The Principles and Operational of Iranian Cinema (DEVICTOR, 2002, P.72)

-qualquer insulto ao monoteísmo, aos profetas e aos ímas

-qualquer insulto aos princípios que sustetam o governo islâmico no Irã (velayat-e faqih)

-negar papel da revolução na formulação das leis

-negar a ressurreição e seu papel na evolução do homem através de Deus

-negar a continuidade do líder religioso (Emamat)

-negar o papel da revolução islâmica do Irã sob a liderança de aiatolá Khomeini em livrar os mulçumanos do imperialismo do mundo

-proibição de filmes que tratem de violência, sexo explícito, prostituição e corrupção

-personagens negativos com barba (que poderia ser associado a religiosidade)

-contato físico ou piadas entre homens e mulheres

-piadas sobre exército, polícia ou família

-palavras estrangeiras ou grosseiras

-músicas estrangeiras ou qualquer tipo de música que evoque prazer e alegria

-mostrar de maneira positiva um personagem que prefira a solidão á vida coletiva

-policiais e soldados mal vestidos ou discutindo

-mulheres vestidas indecentemente (as mulheres devem cobrir o corpo e cabelo e não podem usar roupas justas ou coloridas) e maquiadas.

Em 2000 cerca de 70 filmes eram produzidos no Irã, desses apenas 20% são filmes de arte, 10% chegam ao ocidente e outros 80%  são filmes populares. Os principais problemas que os cineastas enfrentam para a produção são: falta de equipamentos, faltas de meios de exibição e por ultimo a TV iraniana que têm um orçamento 5 vezes maior que o do ministério da cultura mas está na mão dos conservadores. Os filmes que são mais incentivados pelo governo são aqueles que elevam o islã e cultura mulçumana, durante a guerra com o Iraque por exemplo o governo cedia tanques e armas para que fossem feitos filmes que exaltassem o exercito iraniano lutando contra o “inimigo da revolução”.

 Centros de produção cinematográfica no Irã

Setores Públicos

– Escritório de Filme, Foto e Produção de Slides (MCOI)

– Farabi Cinema Foundation (MCOI)

-Centro para o Desenvolvimento Experimental de Filmes Semi- Amadores (MCOI)

-Centro Islâmico para o Ensino de Cinema.

-Sociedade do Cinema Jovem (MCOI)

-Fundação do Oprimido

-Centro para Desenvolvimento Intelectual da Criança e do Adolescente

-Voz e Visão na Replública Islâmica (IRIB).

-Ministério da Reconstrução Jehad

-Universidade Jehad

-Comando de Propaganda na Guerra

-Unidade Cultural da Guarda Revolucionária

-Departamento de Filmes do Comitê Revolucionário

-Organização do Trânsito

-Iran Air

Setor semi-público (semigovernamental) 

-Organização da Propaganda Islâmica, Cultura Islâmica e Grupo artístico.

Setor Privado

-Co- produções Internacionais

-Podutoras Independentes

-Copanhias de produção comercial

-Estúdios

Para aprovar o roteiro, pode durar até dois anos. São analisadas a sinopse, o roteiro, e depois figurino, equipe, e por final o filme pronto. Os filmes são classificados como A, B, C ou D, um filme estrangeiro nunca leva mais que B. Em média 600 roteiros são enviados para análise, desses apenas 200 tem permissão de produção, e 80 recebem apoio financeiro de até 60%. Mas mesmo depois de pronto o filme corre o risco de ter a exibição vetada.

Ano         Filmes examinados          Permissão concedida                Permissão negada

1979                    2000                                       200                                           1800

1980                    99                                           27                                             72

1981                    83                                           18                                             65

1982                    26                                           7                                                19

Atualmente o cinema iraniano é reconhecido como arte em vários festivais no mundo, mas muitos desses filmes não são vistos pelos própios iranianos, devido a censura, muitos cineastas ainda são exilados, ou presos em suas próprias casas, mesmo assim o cinema iraniano continua produzindo e criando uma linguegem própria sobre fazer cinema.

 

JAFAR PANAHI: CINEASTA, LIVRE OU PRESO

Por Rodrigo S. Pereira

 Em 1995 chegou ao mundo “O balão branco”, dirigido por Jafar Panahi e escrito por Abbas Kiarostami, sendo premiado em Cannes como melhor filme de estreia. Desde então, com “O espelho” (1997) e “O círculo” (2000), Panahi entrou para o ranking de grandes diretores iranianos, equiparado ao próprio Kiarostami, a Majid Majidi e Mohsen Mahkmalbaf.

 O novo milênio trouxe muitas perturbações à vida de Jafar Panahi. Em abril de 2001, ele foi detido no aeroporto internacional JFK, de Nova York, EUA, na conexão que faria entre Hong Kong e Buenos Aires. Exigia-se que ele fosse fotografado e sua digital fosse registrada, e, recusando-se a cooperar com isso, declarando que não era um criminoso, Panahi passou algumas horas algemado, ao ser liberado, foi fotografado e enviado de volta para Hong Kong. Em 2003, o cineasta fora apreendido pelo Ministério da Informação do Irã e interrogado por quatro horas, e liberado sob recomendações de que deixasse o país.

 eu filme deste ano, “Ouro carmim”, não é o único de sua carreira que incomoda o governo iraniano quanto ao cumprimento de suas normas culturais. Este fora o segundo filme escrito por Abbas Kiarostami para a direção de Jafar Panahi, e seu segundo filme censurado, ao lado de “O círculo”. O governo demandou diversos cortes em ambos os filmes, os quais Jafar Panahi se recusou a aplicar. A circulação de ambos os filmes não foi autorizada pelo governo iraniano, o que não os impediu de concorrer em importantes festivais internacionais, premiando “O círculo” com o Leão de Ouro e “Ouro carmim” com o prêmio do júri de Cannes, Un certain régard. Desde “O espelho”, Jafar Panahi não abandonou a interação de seus filmes com o campo documentário, sendo por exemplo o personagem do entregador de pizza que protagoniza “Ouro carmim” interpretado por um entregador de pizza esquizofrênico. Em todos os seus projetos há uso enfático de não-atores.

 “Fora do jogo”, 2006, foi o filme que levou Panahi a uma confrontação direta ao governo. Já ciente de que a trama seria vetada pelos censores, Panahi submeteu um roteiro falso para obtenção da permissão de produção, necessária a qualquer filme que vá ser rodado em território iraniano. A resposta, no entanto, não foi das melhores: Jafar Panahi só obteria permissão de rodar “Fora do jogo” quando submetesse seus filmes anteriores ao corte do Ministério da Cultura e Orientação Islâmica, tornando-os adequados às normas culturais impostas pelo governo, que incluem inúmeras restrições de enquadramento, uso de luz, participação de mulheres e caracterização de personagens, como não ser permitido mostrar em filme uma vida reclusa (tradição islâmica) em uma perspectiva negativa, e antagonistas não poderem ter barba cheia.

 Apesar de “O círculo” e “Ouro carmim” ainda não terem circulado no Irã, Panahi ignorou a proposta e rodou “Fora do jogo” como tinha planejado, trocando os protagonistas masculinos por quatro meninas que se travestem para assistir a um jogo de futebol clandestinamente. As mulheres no Irã são proibidas de assistir a jogos de futebol, tanto pelo comportamento dos homens na torcida, com exaltação e uso de palavras impróprias, como pelas vestes dos jogadores, de pernas à mostra pelos shorts e braços à mostra pelas mangas curtas.

 Seguindo a lógica de “Ouro carmim”, “Fora de jogo” foi protagonizado por quatro moças que realmente eram aficionadas por futebol, e gravado durante um jogo real das classificatórias para Copa do Mundo da Alemanha. Jafar Panahi tomou cuidado para manter as gravações em sigilo, mas após uma publicação que o anunciava como diretor da produção (em vez de seu assistente, como ele estava divulgando), o governo se mobilizou para apreender os copiões de “Fora do jogo” e parar as gravações, no que não obteve sucesso.

“Fora de jogo” foi premiado com o Urso de Prata do Grande Prêmio do Júri em Berlim e estava pronto para quebrar recordes de bilheteria no Irã, mas a permissão de distribuição não foi concedida. Mesmo com o pedido da Sony Pictures Classics, distribuidora internacional do filme, de que fosse exibido por uma semana para que se tornasse apto à indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, “Fora de jogo” permaneceu proibido no Irã. Isto não significa que não fora visto: a pirataria em DVDs é forte no país, e Panahi já declarou que de todos os seus filmes, “Fora de jogo” provavelmente foi o mais visto. Dois dias após a proibição e vinte dias antes da FIFA World Cup ’06, cópias do filme estavam disponíveis em todo o Irã.

Panahi permaneceu sob observação do governo iraniano, inclusive sendo preso, alegadamente por engano, em 2009 quando visitava o túmulo de Neda Agha-Soltan, vítima fatal da repressão dos protestos no Irã relativos às eleições daquele ano. Um vídeo de sua morte circulou internacionalmente, e seu rosto tornou-se símbolo da oposição ao governo iraniano. A prisão do cineasta foi denunciada por um blogueiro que testemunhou a apreensão, e após oito horas foi liberado, graças à pressão exercida por amigos e cineastas em todo o mundo. Abertamente politizado, Panahi neste mesmo ano organizou demonstrações de apoio ao Partido Verde do Irã no Festival Mundial de Montréal, inclusive se deixando fotografar junto a manifestantes.

O cineasta finalmente foi preso em março de 2010, sem acusações oficiais, junto a familiares e amigos. A maioria das pessoas foi liberada dentro de dois dias, e os dois que restavam além de Jafar Panahi também foram liberados 15 dias depois. Afirmando ser maltratado na prisão e receber ameaças à sua família, Panahi iniciou uma greve de fome que culminou em sua liberação sob pagamento de fiança de duzentos mil dólares para aguardar o julgamento.

Apesar do apoio de dezenas de cineastas, produtores, institutos de cinema, do Ministério de Assuntos Estrangeiros francês e outros, o cineasta foi condenado em dezembro daquele ano a 20 anos de proibição de dirigir ou escrever filmes, dar entrevistas à imprensa iraniana ou estrangeira e de deixar o país, exceto por demanda médica ou pela peregrinação à Meca prevista pela tradição islâmica, e ainda 6 anos de prisão domiciliar, os quais ainda está cumprindo. Em 2010 ele havia sido nomeado integrante do júri do Festival de Cannes, que manteve seu assento vazio em vista de sua prisão.

Em 2011 o cineasta rodou em sua casa, com a ajuda do amigo Mojtaba Mirtahmasb, “Isto não é um filme”, em que descreve o filme que tinha começado a produzir à época da prisão, faz telefonemas relativos à sua situação legal e vive seu cotidiano em casa, à companhia da televisão e de sua iguana, e com alguma comunicação com os vizinhos. O filme foi contrabandeado em um pendrive dentro de um bolo para o Festival de Cannes, onde entrou como uma exibição surpresa. O filme chegou a ser considerado para a categoria de Melhor Documentário do Oscar de 2012 (85ª edição). Com aclamação da crítica, “Isto não é um filme” figurou em várias listas de “melhores de 2012”, inclusive da renomada Sight&Sound.

Jafar Panahi foi premiado junto à advogada Nasrin Sotoudeh pelo Parlamento Europeu com o “Prêmio Sakharov por liberdade de expressão”, como pessoas que não se curvaram à opressão e priorizaram o destino de sua nação em vez do próprio. Nasrin Sotoudeh foi sentenciada de forma semelhante ao cineasta, proibida de exercer advocacia por 10 anos, e encarcerada por 6 anos (após apelo na corte; a pena inicial era de 11 anos). Tal como o cineasta, a mulher foi levada a fazer greve de fome em 2012 para que seus direitos se fizessem valer, pois seu contato com a família havia sido vetado. A greve de fome só teve fim após 49 dias.

Em 2013 a controvérsia política em que está inserido Jafar Panahi se intensificou com o lançamento ilegal de seu filme Pardé, ou “Cortinas fechadas”, no festival de Berlim, onde foi premiado com o Urso de Prata pelo Melhor Roteiro. O filme foi realizado em colaboração com Kambozia Partovi, que escrevera “O círculo” para Panahi. A exibição e premiação de “Cortinas fechadas” levou a pronunciamentos do Irã reprovando a colaboração internacional com a atividade ilegal de Panahi, e ainda o professor da Universidade de Columbia Hamid Dabashi criticou a atitude de Panahi de filmar enquanto preso e afirmou que seus dois últimos filmes seriam um recorte autoindulgente do que fazia os filmes anteriores do diretor tão interessantes. Panahi afirmara à época de “Fora de jogo” que o tema que mais lhe preocupava era a mulher na atual cultura iraniana imposta pelo governo, que extrapola as tradições islâmicas, e que seria a problematização destas imposições o cerne de sua obra. Talvez Hamid Dabashi se refira aos dois últimos lançamentos do diretor negativamente por haver neles um menor caráter expositivo e a possibilidade de uma exploração gratuita de uma controvérsia política. Neste ano, Jafar Panahi foi convidado a integrar a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.

Paralelamente à sua prisão, também no contexto dos protestos contra a eleição de 2009 no Irã, foi fechada a House of Cinema, associação de cerca de 60 cineastas do país então considerada ilegal pelo governo. Após as eleições de 2013, a associação foi readmitida na legalidade, mas não se sabe se a nova presidência exercerá qualquer influência no futuro de Jafar Panahi.

A RECENTE HISTÓRIA DO IRÃ E SUA RELAÇÃO COM O CINEMA

Por Tarciso Rodrigues

 A atual história do Irã, mais precisamente a partir de 1979, quando se desencadeou a Revolução Islâmica, é permeada por uma série de turbulências. Insatisfeitos com o regime absolutista liderado pelo xá Reza Pahlevi, um grupo formado por xiitas, intelectuais islâmicos, cristão, marxitas, operários, entre outros, deu inicio à revolução. Mais tarde, juntou-se a este grupo aiatolá Ruhollah Khomeini e junto com ele o ideal religioso incorporou-se, fortalecendo, assim, o processo revolucionário. Contudo, as questões econômicas, como o mercado petrolífero, eram o principal motivo da inserção do clérigo à revolta. Com o passar do tempo, a população percebeu que as questões socioeconômicas não melhoravam. Os valores do petróleo não eram compartilhados com a população e a situação de desigualdade e desemprego perdurava. O filme Hymn (1978), de Amir Naderi, retrata a história de um prisioneiro que ao sair da cadeia não consegue emprego e se depara com o não cumprimento das promessas feitas pelo atual poder. O filme foi proibido pelo governo.  O poder religioso, na verdade, além de não favorecer o IDH da população iraniana, ainda intensificou o regime opressor. Diferente do período do golpe militar no Brasil, onde o governo criou atos institucionais, como o AI-5, visando “domar” a população, o poder iraniano baseia-se nas leis islâmicas para ditar o comportamento social do país, eles até possuem legislação, porém a ultima palavra parte da cúpula religiosa. Assim, as autoridades do Irã, diante dessas ideias, incorporaram o direito de vetar todo tipo de manifestação que infringisse as leis islâmicas. Ou seja, acima de tudo, para eles está a religião. Com o tempo, novas forças vêm surgindo para derrubar esse cenário político, mas o progresso pode ser considerado mínimo. Shirin Ebadi, vencedora do Nobel da Paz de 2003, atua militante em favor da causa das mulheres e crianças que compõe este país. Mesmo sendo boicotada pelas duas facções do governo, o trabalho desta advogada e professora universitária pode ser tido como notável.

A relação Islamismo x constituição do Irã x declaração universal dos direitos humanos norteia uma discussão sem precedentes com foco na liberdade de expressão do povo iraniano. O que se nota é que o governo apoderou-se das leis islâmicas para burlar o pensamento sociocultural. Assim, focados nesta ideologia, eles acabam desfocando das questões administrativas do país. Vetando, por tanto, o desenvolvimento do Irã, em todas as áreas, inclusive na cultura.

Atualmente, apesar das poucas evoluções governamentais, o Irã ainda é um estado que oprime as mulheres e não se empenha em instruir os jovens. A população entende que há a necessidade de uma outra revolução, mas se veem desmotivados ao observarem os recentes acontecimentos históricos. No entanto, hoje pode se perceber que os jovens, na maioria da classe alta, não seguem rigidamente os costumes e regras. Práticas como ingerir bebidas alcoólicas, usar drogas e vestir roupas decotadas são usuais, ainda que feitas escondidas. A música ocidental começa a se inserir, aos poucos, nos ambientes iranianos. Com relação ao cinema, pode se constatar que algumas realizações do cinema ocidental tem chegado ao alcance dos jovens iranianos tanto por vídeos, TV por satélite, quanto pela internet. Segundo o cineasta Babak Payami, lutar contra as limitações do governo neste momento não é possível, mas ter acesso à informação, isto é. Ele exemplifica que nenhum governo ditatório conseguiu impedir as pessoas de se expressarem:

Quando as pessoas falam das limitações do governo, eu rio. Tente pará-las, você não vai conseguir. Se as pessoas quiserem, elas terão informação. Isso não funcionou com a muralha da China, não funcionou com as restrições soviéticas de controle da sociedade. Governo iraniano, americano, você não pode proibir as pessoas de se expressarem e de se comunicarem. (PAYAMI, 2003)

Mesmo vivendo uma ditadura, o período pré-revolução islâmica do Irã lhe dava com a produção cultural de uma forma bem mais satisfatória. Com o interesse de fomentar a prática da produção cultural, dando mais liberdade aos autores na realização de suas obras, a princesa Farah, mulher do xá Reza Pahlevi, criou o Kanun. O Kanun abrangia toda a elaboração cultural vigente no Irã, mas foi no cinema, com a criação de um departamento, que teve a colaboração do diretor Abbas Kiarostami, que os maiores resultados artísticos desta instituição afloraram. No período de 1970 a 1979, o cinema iraniano produziu alguns dos melhores curtas e filmes de animação de sua história. No segundo período do Kanun, que vai da revolução até 1990, mesmo com a forte repressão dos aiatolás, pode se observar alguns dos maiores filmes da história do cinema iraniano. Neste momento, os autores deram ênfase a produzir filmes com uma temática mais realista e que tratassem dos problemas sociais desta nação. Os filmes faziam, na sua maioria, criticas ao sistema de governo repressivo do Irã. Porém essas críticas eram construídas de forma metafórica. O curta-metragem de Bahram Beizaie, Travelers (1991), que conta a história de duas crianças que são exploradas em benefício de pessoas adultas, fazendo assim uma metáfora com o regime do xá, exemplifica bem os filmes deste período.  No terceiro período, que vem da década de 90 até os dias de hoje, a repressão do governo aumentou. Isso fez com que alguns cineastas buscassem por produtoras independentes para realizarem seus filmes. Este maior controle fez também com que a produção de filmes reduzisse bruscamente.  Em contrapartida, em 1998 o Irã teve seu primeiro filme indicado ao Oscar, Children of Heaven, de Majid Majidi.  E em 2012, o longa A Separação, de Asghar Farhadi, levou a estatueta. A relação entre a guerra, o regime opressor e a cultura é tão forte na sociedade iraniana que o discurso, Farhadi, ao ganhar o Oscar, sintetiza bem esses três elementos, porém, valorizando aquele raro momento em que o mundo se voltou ao Irã não pelas suas mazelas:

Neste momento, pessoas de todo o mundo estão nos vendo e estão contentes não só pelo prêmio, mas porque, em um tempo como este, no qual se fala de guerra, meu país, o Irã, está aqui por sua cultura. (FARHADI, 2012)

O legado que o cinema iraniano instaurou no espectador ocidental é latente. É interessante e até frustrante constatar que, por conta da repressão, o cinema visto pelos ocidentais representa apenas 8% de tudo que é produzido no Irã. Até porque, este cinema, em sua maioria é, de certa forma, contestador e delator dos problemas da sociedade e da política iraniana. Portanto, são obras que acabam sendo proibidas no país. Hoje, realizadores, críticos e cinéfilos de todo o ocidente buscam exaltar de forma abrangente este cinema iraniano que vos chega. Um cinema rebuscado, que teve como base a estética da Nouvelle Vague e do Neorrealismo, e que a partir desse alicerce, soube construir sua própria narrativa de forma única e essencial. Com relação à obra de Makhmalbaf, Werner Herzog diz que sua linguagem cinematográfica é muito interessante e pessoal, diferente de tudo que ele já viu. Para Herzog, Makhmalbaf foi capaz de desenvolver uma obra singular, repleta da poesia cinematográfica. Alguns teóricos-sociólogos afirmam constatar que o ser humano, quando passa por repressões, se expressa de forma mais contundente. Certamente, este é o motivo que traz tão claro a pureza incondicional e a aura de inocência vista nas realizações do cinema iraniano.

O CINEMA DE ISRAEL

Por Lara Buitron

O cinema de Israel existe desde 1948, sua produção se intensificou a partir de 1954, quando o Parlamento israelense aprovou a Lei de Incentivo aos Filmes Israelenses.

Porém, a produção começou a ficar mais sólida a partir da década de 70, quando a produção relativamente escassa começou a se tornar maior, saindo de uma média de cinco filmes por ano para quase quinze. Foi no final dos anos de 1970 que fora criado o Israel Film Found, em virtude da necessidade de um fundo público para viabilizar a produção de filmes de cineastas israelenses, o fundo era, inicialmente, voltado pra “filmes de arte”, mas a partir de 2000, expandiu seu leque e atualmente participa de todas as etapas de produção, “da ideia ao pôster”.

Inauguradas na década de 1970 encontramos Cinematecas que funcionam até hoje, que se dedicam a promover o cinema nacional e formar público, são elas as Cinematecas de Tal Aviv, Jerusalém e Haifa. Também com esse objetivo foram criados diversos festivais de cinema, entre eles o mais famoso e aclamado é Haifa International Film Festival.

A partir de 2000 encontramos uma melhoria técnica nos filmes e o quase abandono das temáticas políticas, o que influenciou o crescimento do público (tanto nacional como internacional), além do aumento do financiamento estatal e da indústria televisiva. O governo israelense hoje obriga que de TV financie produções de filmes cinematográficos em troca dos seus direitos de transmissão. Além disso, os royalties que as empresas de televisão costumavam pagar ao governo, agora são destinados à indústria cinematográfica de Israel.

O Centro do Filme Israelense, uma divisão do Ministério de Indústria e Comércio, promove a produção cinematográfica em Israel, tanto de produção local quanto estrangeira, prestando os mais variados serviços, desde organização de contatos profissionais até oferecimento de incentivos financeiros, o que estimula a existência bastante grande de co-produções no país (a França é o principal parceiro cinematográfico de Israel).

Haifa International Film Festival

O Haifa IFF aconteceu pela primeira vez em 1983, foi o primeiro festival internacional de cinema israelense, ele acontece no Mount Carmel, com vista para o Mar Mediterrâneo, na cidade de Haifa, que é um símbolo de paz em um Estado de guerra.

O Festival conta com três principais competições: o Prêmio Golden Anchor, para o melhor filme produzido no Mediterrâneo; o Filmmakers of Tomorrow, feita em colaboração com a FEODORA – Federação de Críticos de Cinema da Europa e do Mediterrâneo; e a Israeli Film Competition, onde existem diversos prêmios por categoria (longa, curta, documentário, atuação, seriados para TV, etc).

Dentre muitas coisas interessantes o festival estimula o encontro de cineastas israelenses com investidores internacionais, tanto de cinema como de televisão, nessa parte do evento projetos são avaliados e julgados, são consideradas as produções tanto só roteirizadas como já filmadas.

 Israel Film Found

Fundado em 1979 para “combater” as comédias de baixo orçamento e estimular a produção dos “filmes de arte” no país, o Israel Film Found está até hoje na ativa e é considerado a mais importante fundação e fonte de renda cinematográfica do país. Com o passar dos anos o fundo começou a financiar não só “filmes de arte”, funcionando como um tipo de edital, que hoje apoia, financia e dá consultora para projetos do ponto inicial da ideia e desenvolvimento do roteiro até a produção completa do filme incluindo marketing e distribuição. Como parte de sua atividade, o fundo atua como promotor do filme e apresenta o filme nos maiores festivais do mundo.

Anualmente o fundo investe 6 milhões de dólares em longas-metragens rodados em Israel, seja produzindo ou lançando no exterior. Anualmente são recebidos 140 roteiros, dos quais 15 são selecionados e mais 30 filmes recebem apoio do fundo. Desde seu nascimento, ele já apoiou mais de 340 completos filmes longa-metragem. O fundo é apoiado pelo governo e é uma instituição sem fins lucrativos.

Para estimular a indústria cinematográfica local as condições são que 50% do orçamento deverá ser gasto em Israel ou 70% do orçamento de salários deverá ser gasto com o pagamento da equipe israelense. E o diretor ou roteirista deverão ser israelenses ou ter residência permanente no país. Além do que o fundo poderá fazer após esta etapa “recomendações finais” sobre o projeto, ou seja, tem direito ao corte final, como algumas produtoras americanas fazem.

As submissões para avaliação são continuas e as avaliações levam de 6 meses a um ano. Caso selecionado, o projeto terá direito à preparação do orçamento, plano de negócios, consultoria legal e financeira para o filme.

O Fundo obedece às normas regulamentadas pela “Nova Lei do Cinema”, de 2001, que é quem exige que:

1 – Não menos do que 50 % do “abaixo da linha” deve ser gasto em Israel.

2 – Nada menos que 70% do orçamento previsto para os salários devem ser pagos à equipe israelense e elenco.

3 – Ou o diretor ou o roteirista deve ser cidadãos israelenses ou residentes permanentes de Israel.

Com os países com os quais Israel tem um acordo oficial de co- produção em vigor, as regras, regulamentos e as condições definidas e especificadas no acordo irá prevalecer e anular os pontos 1, 2 e 3 acima mencionados.

Centro do Filme Israelense

O Centro do Filme Israelense é uma divisão do Ministério de Indústria e Comércio, que já diz bastante sobre o Centro e sobre como o cinema é visto como indústria emergente e bastante rentável para o governo de Israel.

É ele que promove a produção cinematográfica em Israel, tanto a produção local quanto a estrangeira, oferecendo os mais variados serviços, desde organização de contatos profissionais até incentivos financeiros. Ele apoia os festivais como o de Haifa e regulamenta as leis de audiovisual.

Os gêneros cinematográficos:

50’s – Dramas sionistas, filmes de guerra, ideologia hebrárica

60/70’s – cinema mais social (inspirado no cinema francês), novos imigrantes, tensões entre as comunidades judaicas, comédias de baixo orçamento

2000 – experiências pessoais com as guerras, tensões árabes-israelenses, holocausto, identidade judia, cotidiano israelense.

Cinematecas

Desde a década de 1970 a Cinemateca de Jerusalém tem estimulado a formação de público na capital, além de salas de projeções, exposições e atividades internacionais, a Cinemateca conta também com duas armas essenciais para a formação de público: um festival internacional anual, que acontece desde 1984, não competitivo; e cursos de audiovisual que estimulam a análise crítica. Esses dois trunfos também são incorporados pelas demais Cinematecas espalhadas pelo país (Tel Aviv e Haifa).

REFERÊNCIAS

http://filmfund.org.il/default.asp?id=82

http://www.boxofficemojo.com/intl/israel/?yr=2013&wk=50&p=.htm

 

O CINEMA IRAQUIANO

Por Lara Buitron

O cinema iraquiano se desenvolveu na década de 1940. O Estúdio de Bagdá se estabeleceu em 1948.

Na década de 1940 , sob o governo do rei Faisal II do Iraque, um cinema iraquiano verdadeiro começou. Financiado pelo capital privado estrangeiro, mais precisamente britânicos e franceses, as empresas de produção de filmes se estabeleceram em Bagdá. O Bagdá Studio foi criado em 1948, mas logo se acabou, quando as tensões religiosas e políticas entre os fundadores árabes e judeus se acendeu. A maioria dos filmes eram romances leves e comerciais e alguns musicais alegres.

Em meados da década de 1950 foi criado o Dunyat Alfann estúdio, fundado por atores, resolve dar is vazão ao drama. Em 1955, eles produziram Fitna wa Hassan, um filme de Haidar Al-Omar, uma releitura iraquiana de Romeu e Julieta, que recebeu atenção internacional. Apesar de alguns dramas de sucesso a maioria dos filmes era censurada pelo Estad quando abordava situações sociais.

A década de 1960

Em 1959, quando o governo do Rei Faisel II foi derrubado, foi criada a organização Cinema e Teatro Geral, com a finalidade de promover a política do novo regime, tanto em documentários quanto em ficções. Foi a época dos documentários, na maioria das vezes (para não dizer sempre) financiado pelo Estado, celebrando o poder bélico do Iraque.

A revolução 1968 que colocou o partido Baath no poder solidificou ainda mais o controle do governo do material do filme, e a necessidade do Estado em fazer e financiar filmes para validar e solidificar seu poder.

 A Era Saddam Hussein

A ascensão de Saddam Hussein ao poder em 1979 empurrou o cinema iraquiano em uma direção um pouco diferente, agora em vez de solidificar o poder bélico e o Estado, o cinema iraquiano mitificava a história e a cultura iraquiana e celebrar a figura de Saddam Hussein.

As produções continuavam sendo financiadas pelo governo, agora com menos recursos, graças à guerra Irã-Iraque, os poucos filmes produzidos eram propaganda patriótica e culto à Hussein.

Em 1981, o governo encomendou cineasta egípcio Salah Abouseif o filme épico Al-Qadisiya, que contava os triunfos doas árabes sobre os persas em 636 A.C. Foram produzidos vários filmes como esse, inclusive um épico sobre o próprio Saddam Hussein, que tem 6 horas de duração e foi parcialmente editado e dirigido por Terrence Young, o diretor britânico que fez seu nome nos primeiros filmes de James Bond.

A invasão Americana e depois

O Iraque foi invadido em 2003 por tropas norte-americanas e britânicas, desde então houve uma queda, sinistra, de toda e qualquer produção artística e o cinema foi levado junto. Da invasão até 2009 dos 68 cinemas da capital Bagdá apenas dois sobreviveram, mesmo assim foram deixados às traças, até meados de 2010, quando o filme “Filho da Babilônia”, de Mohamed al-Daradji, foi exibido em um desses cinemas. O filme conta a história de um garoto e sua avó em busca do pai dele, filho dela, no caos em que vivia o país semanas depois da queda de Saddam Hussein.

Para obter financiamento, Mohamed abordou autoridades iraquianas, tanto curdas quanto árabes, que se opuseram a personagens ou mensagens. Alguns, segundo ele, sabotaram seu pedido. “Parecia que eles discordavam entre si, mas concordavam a meu respeito”. Outros nunca responderam. Ele acabou financiando o filme, de US$ 1,5 milhão, com dinheiro estrangeiro.

Mohamed al-Daradji é um dos maiores e mais influentes diretores do Iraque hoje, e, junto com Oday Rasheed, tenta estimular a produção e o consumo do cinema no país, com o Iraqi Independent Film Center. Dentre os projetos da dupla dois chamam atenção: um oficina de curtas para jovens cineastas iraquianos, financiada e apoiada pela Human Film, organização independente do Reino Unido, o projeto reuniu jovens roteiristas, editores e diretores com crianças que vivem em um orfanato de Bagdá. O resultado da oficina foram seis curtas, quatro dos quais estrearam no DIFF (Dubbai International Film Festival) – também apoiador do projeto, e também dois que já foram exibidos em Londres e Berlim.

O segundo projeto é a preservação e recuperação da história cinematográfica do país, eles são recolhendo os filmes produzidos ao longo dos anos e mandando para França para que sejam recuperados. O projeto em tese teria apoio do Ministério da Cultura, porém os dois cineastas alegam que não recebem nenhum tipo de apoio e por isso tentam conseguir financiamento privado internacional.

Hoje os diretores iraquianos tem toda liberdade para produzir seus filmes, mas falta infra-estrutura e financiamento, e é aí que o centro de Rasheed e  al-Daradji entra tentando estruturar o máximo possível o caos em que se encontra o cinema iraquiano.

Universidades e Shopping Centers

Pela falta de salas no país a formação de público é um trabalho de formiguinha o que se torna mais difícil quando nem mesmo a graduação em artes no Iraque é lavada à sério, segundo Bashar Kazem, um jovem diretor de cinema e crítico, as universidades de artes não formam artistas. A metodologia utilizada no programa é clássica e acadêmica, sem os componentes práticos ou medidas para manter-se com a evolução tecnológica. Assim, há uma falta de pessoal técnico capaz de fazer um filme. Além disso muitos jovens estudantes recorrem a faculdades de artes e institutos dadas as suas fracas realizações acadêmicas no ensino médio. Assim, eles estão lá apenas para obter um diploma, não por causa do talento ou competência. Além do nível acadêmico fraco de artes, cinema, Kazem observou, “O que faz com que o número de estudantes de cinema particularmente sem sentido é a falta de instituições que apóiam as atividades de cinema.”

Além da falta de instituições apoiadoras há também a falta de salas no país, então a notícia de que um Shopping da cidade de Erbil receberia 5 salas de cinema foi amplamente comemorado pelos amantes da sétima arte no país, já que durante a invasão norte-americana os cinemas e teatros no país foram simplesmente liquidados (literalmente, caíram a baixo).

Primeira filial da empresa, que financiará as salsa de cinema no shopping, é no Clube de caça iraquiano, em Bagdá. A idéia da empresa é apoiar a cultura cinema no Iraque e exibir filmes estrangeiros e árabes, para a formação de um público comercial. A abertura dessas salas sem apoio do governo ou externo, revela que  há juventude ativa trabalhando para entregar uma mensagem para o mundo exterior de que o Iraque está interessado em evoluir e acompanhar o ritmo de outros países, porém também significa que o capital privado ganhará muito com o cinema.

FILMOGRAFIA

  • Son of Babylon
  • Qarantina
  • Reviving Iraq’s film industry