Estados Unidos

Anexos

  • IMAGENS, GRÁFICOS E ESTATÍSTICAS

Um gráfico que revela dados sobre o mercado econômico de Filmes em Hollywood

Gráfico que explora o orçamento de sequências de grandes produçoões e dados comparativos ao orçamento gasto em Marketing.

Dados econômicos e mercadológicos que refletem o sistema financeiro da indústria de filmes nos E.U.A.

  • TRAILERS E VÍDEOS

PERFIL DA PRODUÇÃO CINEMATOGRÁFICA AMERICANA AO LONGO DA HISTÓRIA

Por: Rebecca Cirya

Formação da Indústria de Cinema Americana

Depois da criação de todos os equipamentos que possibilitaram a visualização de filmes (cinetóscopio, biógrafo “um projetor”, vitascópio) os filmes puderam ser vistos nos vaudeviles (filmes de atrações). Os vaudeviles serviram para popularizar os filmes. Posteriormente apareceram empreendedores que construíram lugares onde a única atração fosse, de fato, os filmes, esses lugares eram chamados de Nickelodeons (podem ser considerados os primeiros cinemas). Muitos dos futuros produtores dos grandes estúdios eram donos de Nickelodeons.

Surgiram na década de 1910 empresas que distribuíram filmes, mas essas empresas logo viram que era mas vantajoso controlar todo o processo da cadeia produtiva (produção, distribuição e exibição). A Paramount só possuía o controle da produção e distribuição e se sentia bastante prejudicada, por isso Zukor um dos Chefes da empresa teve a ideia de vender filmes por lotes, explorando bastante o Star System, pois quem quisesse exibir os filmes de grandes estrelas que estavam vinculadas a Paramount tinham de comprar juntamente os outros filmes. As empresas grandes foram destruindo as pequenas e no início da década de 30 as 5 grandes companhias eram a Warner Bros, Paramount, Metro-Goldwin-Mayer (MGM), Radio-Keith-Orpheum ( RKO) e 20th Century Fox.

A primeira Guerra favoreceu o desenvolvimento da indústria cinematográfica americana já que os europeus não tinham condições de produzir. Além de alimentar o mercado interno os EUA passaram a ser os grandes exportadores de filmes para Ásia, África e América Latina. Todas as companhais se mudaram para o subúrbio de Los Angeles porque era o lugar mais viável: dias de sol durante quase todo ano e topografia variada..

Perfil da Produção na Era dos Estúdios

Os 5 grandes estúdios tinham determinadas características e personalidades que diferenciavam seus produtos dos demais estúdios. A Warner Bros diferenciou seu produto com êxito devido a introdução do som, produziam filmes com o máximo de economia, seus filmes eram voltados para classes populares, destacavam-se dramas sociais e criminais (Inimigo Publico, 1931 e O fugitivo, 1932), outros filmes que marcaram a produção da Warner foram o musicais de bastidores. A MGM produzia filmes mais elaborados, luxuosos, com iluminação difusa, cenários grandiosos, tinham muitas estrelas vinculadas ao estúdio, produziam adaptações literárias e filmes família, seus filmes eram mais voltados para a classe média americana. A Paramount era o estúdio mais europeu, contava com técnicos europeus, principalmente alemães, o visual de seus filmes eram sofisticados e

visualmente ornamentados, as produções de maior importância foram as operetas e as comédias de costumes do diretor Ernest Lubitsch. A 20th Century-Fox era o estúdio que tinha uma paixão pela América, pelo seu passado, pelas pequenas vilas, o idealismo e passadismo eram as fontes de riqueza do estúdio, seus filmes traziam temáticas de heróis e prezavam pelos valores tradicionais americanos. A RKO não tinha um padrão bem definido de estilística , pois seus chefes de produção mudavam constantemente, a grande característica da RKO era a diversidade e criatividade, Cidadão Kane e King Kong foram algumas das suas produções, o estúdio também produziu comédias musicais estreladas principalmente por Fred Astaire e Ginger Rogers, esses filmes tinham cenários modernistas e uso inovador das danças.

Os pequenos estúdios também tinham padrões de produção. A Universal dedicou-se a produção de baixo orçamento e produziu principalmente dramas do diretor John M. Stahl e filmes de horror/fantasia inspirados no expressionismo alemão, produzindo filmes como: Drácula e Frankenstein. O principal produto da Columbia era o filme B e teve grande sucesso as comédias de Frank Capra, comédias conhecidas por serem excêntricas, personagens extravagantes, diálogos espirituosos e manifestarem o otimismo do New Deal. Temas bem propícios para o período da depressão.

As produções classe A dos grandes estúdios dividiam-sem em: superspecials, specials e programmers. Os superspecials eram filmes de prestígio que contavam com grandes estrelas, com orçamento alto e tempo super a duas horas. Os specials eram filmes que também possuíam astros importantes e que as histórias já tinham sido testadas e aceitas pelo público, os orçamentos eram menores que os filmes superspecials e seu tempo de duração oscilavam ente 80 e 90 minutos. Os programmers eram filmes com os menores orçamentos as histórias eram originais e podiam ou não contar com grandes atores e tinham duração entre 60 e 80 minutos.

A produção de filmes B representavam a metade ou mais de toda a produção anual das grandes companhias. Eles tinham tempo de duração entre 55 e 70 minutos e serviam para satisfazer as necessidades de exibição e amortizar as despesas gerais, serviam também para treinar e testar novos taletos. Independente da qualidade os filmes B tinham exibição garantida, pois os estúdios já vendiam o pacote, filmes A e B juntos. A política de preços é que eram diferenciadas. Os filmes A eles ganhavam em porcentagem em relação à bilheteria e os de filme B era um aluguel, um preço fixo.

Perfil da Produção Atual

Hollywood a partir da década de 1950 passou a ser controlada por grandes conglomerados de mídia e comunicação isso significou que esses grandes companhias não dependiam apenas de um único

produto (o filme) para obter lucro, pois possuíam uma enorme variação de produtos e serviços de entretenimento como: jornais, revistas, redes de televisão e produtos audiovisuais, sites, jogos e parques temáticos. É a chamada “fase da diversificação da indústria”. Foi na década de 1980, na corrida da fusões que as empresas de Hollywood ficaram atrativas, foi uma época de privatizações, desregulamentação, desenvolvimento tecnológico.

Atualmente grande parte dos filmes são produzidos fora de Los Angeles, as coproduções aumentaram significativamente. São vários fatores que levam as empresas de Hollywood a fazerem filmes em parceria com outros países: incetivos fiscais, baixo preço de mão de obra, além de desenvolver a indústria local do país.

Hoje Hollywood está preocupada com a concorrência dos outros países e para manter sua hegemonia suas produções possuem roteiros que agradam diversas faixas etárias, filmes de família, super-heróis/ ação. Produções que tenham a participação de atores, atrizes ou diretores famosos também são requisitos para o sucesso de uma produção. E mesmo assim os filmes correm o risco de serem rejeitados pelos espectadores.

Falar de produção independente é muito complicado, primeiro porque a maior parte dos filmes independentes são produzidos por alguma subsidiária das grandes companhias, e quando não são produzidos por essas subsidiárias eles terão, de qualquer forma, que se atrelar a elas para que possam ser distribuídos.

Desde a consolidação da indústria de Cinema Americana sua maior preocupação foi com os lucros. Portanto as produtoras realizavam filmes que o público gostasse e durante esse tempo o gosto do público variou bastante. Com o advento do som no final da década de 1920 os filmes musicais eram os mais requisitados pelos espectadores, eram os famosos “ all talking, all singing, all dancing”, os filmes de western também tiveram a sua fase, principalmente os estrelados por John Wayne, dentre outras preferências do público no decorrer do século XX. Nos últimos anos o gosto do público é sem dúvidas os filmes de ação, os que fizerem maior sucesso no ano de 2013 foram: O Homem de Ferro 3, Meu Malvado Favorito 2, Universidade Monstros, Velozes e Furiosos 6, Jogos Vorazes: em chamas. A maioria era continuação, mostrando que esses filmes que tem sequências também são o atual alvo da produção de Hollywood.

FINANCIANDO CINEMA NOS EUA

Por: Evan Diniz

Os Estados Unidos possuem a maior indústria cinematográfica do mundo. Dados da MPAA.org  (Motion Picture Association of America), associação de cinema americana que representa as seis maiores companhias de cinema de Hollywood, estimam a participação de uma comunidade nacional de mais de 2.1 milhões de trabalhadores, desde maquiadores a figurinistas, escritores à atores, contadores à limpadores.  O cinema também, é uma poderosa engrenagem no crescimento econômico que contribui com mais de 175 milhões anualmente  para a economia dos EUA e possui uma comunidade profissional  que contribui com mais de 15 bilhões  anualmente para os cofres de taxas estatais e federais. A indústria americana de filmes é uma das poucas indústrias que tem saldo positivo em basicamente todos os países os quais possuem mercado. Hollywood está presente em todos os continentes do mundo, o consumo de filmes americanos apenas por americanos não é suficiente para manter a estabilidade de um mercado dessa magnitude. Portanto, um produto fílmico industrial de sucesso a ser financiado em Hollywood, precisa atender a especificações de mercado que vão além da dimensão criativa.

“Filmes são financiados porque seus produtores  revelaram um bom “pacote”, o apelido da indústria para todos os diferentes elementos que devem combinar para criar um projeto desejável aos olhos da indústria. No passado, esses pacotes eram movidos a conceitos e não em execução. Assegurar os direitos de um grande filme, encontrar um roteiro que se revele logo nas primeiras dez paginas, atrair um diretor de sucesso e anexar pelo menos uma estrela bancável: um ator ou uma atriz carismático o suficiente para assegurar que o filme será distribuído e atrairá uma audiência pagante. Bingo, investidores em potencial e distribuidores batendo na porta.” Brown,  C em Key Considerations in Film Finance

 Diferente da maioria dos países que possuem um grande fomento do cinema, os incentivos governamentais privilegiam principalmente a área do financiamento, porém nos Estados Unidos, políticas governamentais que promovem o financiamento de projetos é inexistente. Grande parte destas, se dão em dimensão estatal ou federal, em forma de incentivos fiscais. Portanto para financiar um projeto um produtor precisa se aliar a investidores ou potenciais investidores no momento de criação do projeto. Uma das técnicas comumente usadas por produtores, é a venda dos direitos do filme a distribuidoras ou outras produtoras. As vendas de direitos de um filme são parte crucial na captação de recursos, e precisam ser feitas geralmente com projeções de mercado e lucro. Em Hollywood, as projeções de lucro vão além do mercado da exibição ou salas de cinema, mas de todo o produto derivado do filme.

 “Desde os anos 50, as grandes corporações passaram a controlar a indústria cinematográfica americana e significativa parcela de outros setores midiáticos nos EUA. As empresas de Hollywood não só compõem essas companhias diversificadas, como o próprio cinema, mas exercem controle sobre veiculação – televisão, televisão a cabo, home video etc. e sobre os produtos que frequentemente acompanham um filme – musicas, merchandising etc.” Brown, C em Key Considerations in Film Finance

 No caso  de coprodução com produtores e estúdios internacionais, muitos filmes americanos conseguem captar recursos de fundos públicos de outros países que possuem políticas de incentivo ao financiamento do cinema. A participação de fundos de origem internacional é muito importante para Hollywood. Em produções muito caras, produtores e estúdios se aliam na busca de investidores. A indústria de Hollywood atrai muitos investidores, sobretudo de outros países pela solidez do mercado Hollywoodiano. Produtores executivos aproveitam-se de taxas internacionais e troca de direitos com investidores de outros países, que permitem com o que o financiamento se torne mais estável e seguro. E na maioria das vezes, depois de dezenas de trâmites envolvendo troca de direitos do filme e taxas nacionais e internacionais, os estúdios conseguem reaver todo o investimento perdido no processo de captação, além dos direitos do filme.

 “Pagar por um filme blockbuster de Hollywood significa mais do que cobrir os custos atuais de produção. Marketing  é outro grande pedaço  do financiamento, por exemplo, desde que que as vendas de  ingressos normalmente não são suficientes para cobrir os custos das propagandas, outra razão porque financiamento em veículos adicionais são tão importantes.” Brown C, em Key Considerations in Film Finance

 Com uma política industrial muito forte, fazer cinema de forma independente nos Estados Unidos torna-se uma tarefa muito mais difícil do que se pode parecer. Do processo de financiamento até a distribuição, o produtor independente de alguma forma terá que se aliar a uma produtora ou distribuidora, para que seu filme seja financiado e exibido. Grande parte dos produtores independentes vendem o direito do filme a distribuidoras internacionais no mercado de filmes americanos. Cineastas independentes americanos acreditam que o governo precisa incentivar a produção desse cinema.

 “Temos que ter algum tipo de financiamento pelo governo. Na América, filmes independentes estão quase uma arte morta”. Tina Mabry em bloomberg.com

“Incentivos do governo americano estão atrelados a condições especificas e “não prontos para se tornar em dinheiro”. Jean Prewitt em Key Considerations in Film Finance

 Entretanto, produtores independentes estão prestando cada vez mais atenção a uma nova plataforma de financiamento crescendo, o crowdfunding. Crowdfunding, é uma forma de financiamento que surge com a internet e basicamente consiste em “doações” em dinheiro feitas por pessoas físicas comuns. Projetos de financiamento coletivo, são projetos que geralmente cativam o interesse das pessoas, que se interessam em doar para que o projeto seja concluído e que elas possam utilizá-lo de alguma forma. O exemplo mais famoso de crowdfunding para o cinema foi a captação de recursos para o filme baseado na série Verônica Mars. Em dez horas de crowdfunding, o projeto conseguiu captar 2 milhões de dólares, e finalizou a captação com 5,7 milhões.

 REFERÊNCIAS

ESTADOS UNIDOS – GRANDES EMPRESAS E GOVERNO

Por:  Iara Ximenes

O governo estadunidense tem uma relação muito positiva com a indústria cinematográfica do país, para eles, o cinema além trazer dinheiro para o país através de suas bilheteria mundiais, ainda movimenta a economia interna com suas bilheterias e com todos os produtos que são gerados a partir do produto principal, que é o filme. O filme deixou de ser o único produto produzido, além dele, as produtoras se aliam com outras empresas para criar produtos que dão merchandising e retorno financeiro para a produtora e sua empresa aliada. Brinquedos, roupas, produtos alimentícios, jogos de videogame e computador, são apenas alguns dos produtos secundários gerados na atualidade a partir de um filme. Além disso, o cinema traz publicidade para o país, faz propaganda de suas cidades e isso movimenta o setor turístico do país, trazendo pessoas de tantos países para conhecer as famosas cidades dos filmes norte-americanos. A partir dos filmes, não só as cidades ganham fama, mas pontos turísticos, museus e outros tipos de entretenimento são criados, como por exemplo o Madame Tussauds, que é um museu de estátuas de cera, muito visitado principalmente por sua coleção de estátuas de personagens e artistas famosos.

 É aí que também entram as seis majors, as grandes empresas de produção e distribuição norte-americanas. Essas, que quando criadas na década de 30 eram só cinco, são: Universal Pictures (NBCUniversal), Paramount Pictures, Warner Bros, Sony Pictures (Columbia Pictures), Fox Entertainment Group (20th Century-Fox) e Buena Vista (Walt Disney Studios). Nelas foram produzidos grande parte dos filmes dos Estados Unidos, e na época em que criadas, foi a partir delas que eles eram também distribuídos. Depois da lei anti-trust, elas passaram a só produzir e delas vieram quase 90% da receita anual das bilheterias dentro dos EUA e no Canadá. Em 2013, o top 10 filmes que mais arrecadaram nas bilheterias mundial eram todos norte-americanos, sendo quatro deles da Buena Vista, três da Warner Bros, dois da Universal e um da companhia minor LionsGate.

 A indústria cinematográfica norte-americana está percebendo, ao poucos, que os mercados internacionais são solos bastante frutíferos, que as vezes um filme que não é bem visto dentro do país é muito bem aceito internacionalmente e gera bastante lucro.

 Além disso, a quantidade de universidades que ofertam o curso de cinema vem crescendo, consequentemente aumentando o número de cineastas e filmes produzidos, também o número de festivais que atraem a atenção de estrangeiros e estudantes intercambistas, ajudando novamente o governo com o movimento da economia.

 Por causa de tudo isso, o governo tenta ajudar de todas as maneiras possíveis para que seu produto seja aceito internacionalmente. A ideologia anti-americana vem crescendo no mundo inteiro e por isso a intervenção governamental tem sido necessária. Além disso, muitos países, como a China, tem criado cotas de importação, para melhorar sua economia interna, não importando do mesmo jeito que faziam o que faz com que a demanda do cinema estadunidense diminua, que terá então que competir com o de outros países como não fazia antes. Essas cotas de importação são feitas para todos os produtos internacionais, como um todo, ou seja, os filmes americanos passam a competir mais com os filmes franceses, japoneses, ingleses e outros, o que não acontecia antes, uma vez que os Estados Unidos tinham certa hegemonia com o público.

 Além da ajuda internacional, o governo também dá incentivos fiscais às suas produções. O NEA (National Endowment of the Arts), por exemplo, é uma agência do governo que financia as artes independentes, dentro delas, o cinema. Além de ajudar diretamente as produções, o NEA direciona 40% do ser orçamento anual para as agências estaduais de apoio as artes, e estas determinam seu destino. Além disso, a maioria dos estados possui algum tipo de incentivo fiscal para produções cinematográficas, sendo oferecidos de maneiras diferentes, para ajudar a movimentar o estado, pois gera emprego e traz publicidade. A maioria desses incentivos estaduais são oferecidos se uma determinada quantidade de cenas forem filmadas no estado, cenas que deem para reconhecer o local filmado; também se a equipe e o elenco ficarem hospedados em suas cidades e instituições do estado usadas na produção. Dependendo da época do ano (baixa temporada, ou nas temporadas de tornados) e do local a ser filmado, a produção pode receber uma “ajuda” do estado para ficar.

 O filme americano atualmente, além de possuir toda essa ajuda de grandes produtoras e distribuidoras conhecidas no mundo inteiro e do governo, ainda conta com os nomes dos grandes artistas que atraem boa parte do público. O atrativo aos filmes dos Estados Unidos não pára aí. Grande parte deles são criados como que a partir de uma máquina, feitos para que todos se indentifiquem com seus personagens. Existe uma espécie de “apelo universal” em seus filmes, o filme “fala” com qualquer um, são filmes criados para a extensão de público. “o formato e o tipo de drama produzido pela indústria de entretenimento americana criaram uma nova forma de arte universal que pede um público quase mundial” (MEISEL, 1986).

 Esse apelo não só existe no conteúdo das novas histórias, mas também na “malícia” das continuações, nas franquias. Não é preciso criar uma história sofisticada e inteligente, o público que ama o primeiro filme da franquia vai assistir o segundo e o terceiro e assim vai, muitas vezes mantendo a mesma história base. A criatividade da indústria hollywoodiana vem morrendo e as franquias são a salvação para a falência.

 http://www.marketplace.org/topics/business/numbers/us-box-office-bombs-international-movie- gold

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http://boxofficemojo.com/yearly/chart/?view2=worldwide&yr=2013&p=.htm

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A HISTÓRIA DO SISTEMA DE CENSURA NO CINEMA DOS ESTADOS UNIDOS E COMO ELE FUNCIONA HOJE

Por: Heidi Trindade

No início da década de 20, o cinema ainda estava dando os seus primeiros passos como uma “nova arte”. Por conta da I Guerra Mundial, Hollywood tomou a dianteira na produção cinematográfica. Contudo, Hollywood sofria de problemas com sua própria imagem no restante do país. A cidade era conhecida como “cidade do pecado”, em parte por conta dos escândalos que surgiam sobre as estrelas de cinema. Esses escândalos serviam de munição para os que não aceitavam o cinema como uma “nova arte”.

Para resolver o problema da imagem do cinema hollywoodiano, e da cidade, os grandes estúdios do cinema decidiram que algum tipo de censura deveria ser criada. Em 1922, o pastor presbiteriano, também na época diretor-geral dos Correios dos EUA, Will H. Hays, foi escolhido para a presidência do Motion Picture Association of America (MPAA). Em 1924, todos os filmes de Hollywood passavam pela análise de Hays, mas foi 1930 que o Hays Code tornou-se oficial. O Hays Code era subdividido em duas listas: Dont’s, que dentre as proibições podem-se citar: nudez, tráfico de drogas, escravidão branca, miscigenação, ridicularização do clero, ofensa intencional a qualquer nação, raça ou credo; e Be Carefuls que recomendava cautela na utilização dos assuntos: uso da bandeira, armas de fogo e drogas, técnicas de cometer assassinato, brutalidade, crueldade com crianças e animais, prostituição, entre outros. Apesar de ter se tornado oficial 1930, foi só em 1934 que o Hays Code passou a ser cumprido de maneira rigorosa. Antes de 1934, a restrição de alguns assuntos no conteúdo dos filmes era mais realizada através de leis locais ou ainda através de negociações entre os estúdios de cinema. O Código Hays teve dificuldade em se estabelecer nos primeiros quatro anos, em parte por ter sido considerado extremamente moralizante, mas também por conta da burocracia que surgiu das divergências dos grandes estúdios e as leis estaduais de censura. O resultado desse hiato pode ser verificado nos filmes dos anos 20 e início dos anos 30 que são marcados por cenas com insinuações sexuais, miscigenação, uso de drogas ilegais, palavrões, prostituição, infidelidade, aborto, violência intensa e homossexualidade.

 Esses filmes deram origem a um tipo de subgênero chamado “Pre-Code Hollywood”, que não durou muito tempo, mas produziu filmes memoráveis como Inimigo Público (1931), Scarface (1932), entre outros.

 Em 1934, uma emenda ao código foi aprovada instituindo o Production Code Administration a requerer que todos os filmes, a partir do dia 1o de julho daquele ano, obtivessem um certificado de aprovação antes de sua estreia. Nos próximos trinta anos a partir daí, o Código Hays atingiu seu auge em Hollywood, que aderiu ao código. Ainda em 1934, Joseph Breen, católico devoto, foi nomeado chefe do Código de Produção.

 O Código Hays começa a perder força nos anos 50 devido a ascensão do cinema europeu e com o aparecimento da televisão. Filmes como A Streetcar Named Desire (1951) e Rebel Without a Case (1955) fizeram retornar ao cinema assuntos polêmicos como na época dos filmes “Pre-Code Hollywood”. Nos anos 60, o Código Hays entra em total decadência e deixa de ser utilizado. Em 1968, Jack Valenti é nomeado presidente da MPAA e nesse mesmo ano a Motion Picture Association of America (MPAA) elege oficialmente o novo sistema de classificação por faixa etária (sistema que é utilizado até hoje). O Código Hays, que se baseava em uma lista de assuntos considerados contra a moral e os bons costumes, foi substituído pelo voluntary movie rating system, considerado inovador na época.

 O voluntary movie rating system, ou sistema voluntário de classificação de filmes, utiliza um conjunto de classificações que são atribuídas aos filmes após eles serem feitos (diferente da censura que o Código Hays impunha). Essas classificações são monitoradas por três organizações diferentes: a MPAA, a NATO (National Association of Theater Owners) e a IFIDA (International Film Importers & Distributors of America).

As classificações utilizadas no início da implementação do novo sistema, entre 1968 e 1969, eram designadas pelas letras G, M, R e X. Recebiam a classificação G (General Audiences) os filmes liberados para todas as idades.

 A classificação M (Mature Audiences) também era liberada para todas as idades, porém, diferente da classificação G, a classificação M servia de orientação para os pais assistirem ao filme antes dos seus filhos e daí então decidirem se consideram o filme apropriado ou não para os seus filhos assistirem. A classificação R (Restricted) restringia os menores de 16 anos a assistirem a filmes, a não ser que estes estivessem acompanhados de seus pais ou guardiões legais. Já na classificação X era estritamente proibido que menores de 18 anos assistissem aos filmes.

 As classificações M e R não foram bem apreendidas pelos pais, que entenderam que a primeira era mais “rigorosa” que a segunda. Então, em 1970 a classificação M foi substituída pela classificação GP, que depois de um ano foi novamente substituída por PG. Em 1972, foi acrescentado à classificação PG a observação “Some Material May Not be Suitable for Pre- Teenagers” que advertia que o filme poderia conter partes ou assuntos considerados inapropriados para pré-adolescentes. Essa observação sofreria uma mudança em 1978, quando foi alterado de “Pre-Teenagers” para “Children”. A classificação PG sofreu uma subdivisão em 1984, a PG-13, por conta da necessidade que surgiu em classificar filmes com violência que estavam recebendo a classificação PG. A classificação PG-13 advertia os pais para os filmes que continham conteúdo considerado inapropriado para menores de treze anos. Em 1990, a classificação X foi substituída pela classificação NC-17. Com o passar dos anos, a classificação X absorveu a conotação de filme pornográfico. Por isso surgiu a necessidade de distinguir os filmes apenas não recomendados para menores de 17 anos, porém não pornográficos, dos filmes pornôs.

 Ainda sobre o método de classificação etária dos filmes, os filmes classificados como G não contém temas como nudez, sexo, violência, uso de drogas, linguagem chula ou qualquer tema que os pais possam considerar inapropriados para crianças. Contudo, não são necessariamente filmes infantis. Pode conter alguma referência a violência, mas nada “pesado”. Filmes com a classificação PG são filmes cujo os pais decidem se seus filhos podem ou não assistir. Pode conter alguma linguagem inapropriada, violência e nudez, mas nada muito explícito. A classificação PG- 13 indica que o filme pode conter violência (leve, não realista ou não persistente), breve nudez (geralmente sem conotação sexual), entre outros assuntos, todos tratados de maneira rasa. A classificação R em filmes já indica conteúdo adulto como linguagem pesada, violência intensa ou persistente, nudez com conotação sexual, uso de drogas, entre outros. Filmes com a classificação NC-17 podem conter violência, uso de drogas, comportamentos considerados anormais e sexo, apesar de não serem considerados filmes pornográficos.

 Os materiais de divulgação dos filmes, como trailers e pôsteres, também passam pelo crivo da MPAA. Os trailers recebem uma classificação que aparece no plano inicial do mesmo. Elas são chamadas de green band, yellow band e red band. A classificação green band indica que o trailer pode ser passado antes de filmes com qualquer classificação. Já a classificação yellow band indica que o trailer só pode ser visualizado por audiências de faixa etária apropriada. É uma classificação utilizada apenas em trailers na internet. A red band indica que o trailer só poderá passar antes de filmes com a classificação R ou NC-17, para audiência adulta.

 REFERÊNCIAS:

 GÓES, Laércio Torres. O mito cristão no cinema. Editora Edusc: Salvador, 2003.

HALBFINGER, David M. Attention, Web Surfers: The Following Film Trailer May Be Racy or Graphic. The New York Times, 13 de junho de 2007.

The voluntary movie rating system. Folheto escrito por Jack Valenti The Skeptic Tank 
– 25 de maio de 1993

http://www.mpaa.org

http://www.filmratings.com 

A DISTRIBUIÇÃO DE FILMES NO MERCADO DE CINEMA AMERICANO

Por: Thaynam Lázaro Silva

Hollywood mantém-se desde o princípio da história do cinema como a grande meca de produção de filmes no ocidente, sua hegemonia é indiscutível e seus filmes alcançam públicos cada vez mais distintos. Mesmo com o cinema ainda hoje sendo considerado um negócio arriscado, as grandes produtoras americanas continuam lucrando ano após ano. Diversos fatores contribuem para que este mercado siga sendo um dos maiores do mundo. Um deles é o total domínio do mercado de distribuição de filmes, seja dentro dos Estados Unidos, ou mundo afora.

 O mercado de produção e distribuição de Hollywood é dominado por poucas corporações que controlam a maior parte dos filmes comercializados. São as chamadas Majors (Warner, Fox, Paramount, Universal, Disney, Columbia, etc.), estas são as maiores empresas de entretenimento no mundo, que possuem uma vasta gama de meios de vinculação de filmes. Estas empresas não se atem apenas ao mercado de distribuição em salas de cinema, seus lucros vêm dos mais diversos meios de entretenimento, como games, TV, revistas, home vídeo, parques temáticos, etc.

 São estas companhias que controlam o mercado de distribuição mundial, além dos Estados Unidos, elas estão presentes em vários países do mundo, como no Brasil, onde também conseguem manter sua hegemonia no setor local. São elas que escolhem a data de lançamento do filme, formato de lançamento (película, digital, etc.), onde o filme será lançado e qual o alcance que ele tomará, muitas vezes também são responsáveis pelo material de divulgação e marketing, como pôster e trailers. São empresas com muitos anos de experiência no negócio e que mantém este conhecimento sobre o que é melhor para o filme ser o mais lucrativo possível.

 Em Hollywood é muito difícil um filme comercial sair do papel sem antes ter conseguido um contrato com uma empresa de distribuição. Muitas vezes estas empresas mantém total controle sobre a produção de um filme (os chamados filmes de estúdio), e às vezes podem também deter o poder de ordenar mudanças de roteiro, atores, diretores, etc. Muitas vezes  é também a distribuidora que detém o controle sobre o corte final do filme.

 Talvez o maior fator que contribui para que estas empresas sigam no topo do mercado de distribuição de filmes seja a diversificação de seu mercado de atuação.  Um grande filme hoje não lucra apenas com a bilheteria da sala de cinema, uma grande distribuidora tentará distribuir a marca do filme em diversos produtos comercializáveis, em Hollywood um contrato completo de distribuição já deve conter todas as maneiras que o filme será comercializado. Exemplo: o filme será lançado em um determinado numero de países, e em um determinado numero de salas, alguns meses depois também será lançado em home vídeo, um jogo baseado no filme poderá ser produzido, e após as primeiras semanas de lançamento em vídeo o filme passará em tais canais de TV. Todas estas camadas de exibição geralmente são controladas por uma só Major, e tudo isto é comumente planejado antes mesmo da produção do filme em si, desta forma estas empresas podem controlar vários aspectos do filme, visando a melhor maneira de lucrar com determinado produto.

 Muitas destas empresas estão atuando em Hollywood desde os anos 50, foi quando grandes corporações começaram a controlar vários setores de mídia nos Estados Unidos, e o mercado do entretenimento começou a se tornar mais sólido e diversificado. Foi também por volta desta época que o lançamento de filmes sofreu uma drástica mudança, visando o lucro e mais segurança para o negócio.

 Antes das grandes empresas crescerem e se consolidarem os filmes eram comumente lançados em poucas cidades do país, era muito caro produzir várias cópias da película ao mesmo tempo e coordenar o lançamento simultâneo em várias salas. Um filme era geralmente lançado em uma grande cidade e aos poucos ia viajando por outros locais do país e do mundo. Isto poderia ajudar ou afundar totalmente a bilheteria do filme. Um lançamento que era sucesso em Los Angeles poderia ser um total fracasso em Nova York algumas semanas depois, poucas produções conseguiam fama suficiente para se garantir como um sucesso hegemônico, e muitas vezes o atraso no lançamento poderia custar ainda mais às distribuidoras.

 Foi com o crescimento destas grandes empresas que o intervalo entre as datas de lançamento do mesmo filme foi sendo reduzido, porem o lançamento em datas separadas se tornou algo muito arriscado e se mostrou ineficaz com o tempo. Se a bilheteria do filme fracassasse na cidade em que fora estreado o risco de também fracassar em outros mercados nacionais era ainda maior.

 Para as empresas era melhor segurar o filme para uma determinada data de estreia e preparar o seu lançamento simultâneo em todo mercado nacional, assim elas poderiam garantir a bilheteria de estreia em todos os locais que o filme fosse ser exibido. Ainda hoje, o grande momento que é decisivo para o sucesso de um filme é o primeiro final de semana após a sua data de estreia, é geralmente neste curto espaço de tempo que o filme alcança o seu pico em arrecadação diário.

 O crescimento do lançamento simultâneo no mercado internacional também é algo vindouro do alcance internacional que as Majors possuem hoje. Atualmente um filme é lançado na mesma data em vários países do globo, possibilitando um aumento significativo nos números de arrecadação de bilheteria. Outro fator facilitador para a distribuição internacional de filmes é o cinema digital, este proporciona maior mobilidade, segurança, flexibilidade, durabilidade, e as cópias podem ser feitas com um menor custo se comparado a película.

 O número de players também se diversificou, hoje serviços como o Netflix e Video On-Demand também figuram em contratos de distribuição de filmes e começam a ter uma importante contribuição em seus números de arrecadação.  E assim as grandes majors seguem crescendo cada dia mais, com alguns de seus setores lucrando mais que outros, mas sempre na tentativa de ampliar e diversificar o mercado de filmes e de diversas outras formas de entretenimento.  É com o acumulo de capital, e de serviços especializados, que Hollywood segue ainda mais forte e hegemônica.