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O blog Filme No Mundo reúne textos de alunos da disciplina de Economia Cultural 2, do curso de Cinema e Audiovisual da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), ministrada pela professora Amanda Mansur. Os textos se propõem a criar um panorama do funcionamento do mercado cinematográfico mundial em sua dimensão cultural e econômica, identificando fraquezas e forças sob as quais a produção de cinema sobrevive.
Contato: thevanzick@gmail.com – amandamansur@gmail.com

  • WORLD CINEMA

Por Maiara Mascarenhas

A maioria das pessoas ainda vai ao cinema numa atitude jovial e despretensiosa – Susan Sontag, em Contra a Interpretação, p. 321.

No fim do século XIX, o cinema surgia e, ainda longe de obter uma forma definitiva, já se moldava a formas mais antigas de espetáculo. Como entende Susan Sontag (2005), o cinema começou no assombro, o assombro de que a realidade pudesse ser transcrita com tamanho imediatismo mágico.

De lá para cá, podemos então perceber que tudo no cinema é uma tentativa de perpetuar e reinventar a sensação do assombro. A arte cinematográfica, nesse sentido, muito próxima de uma experiência jovial e fantástica, parece, desde seu nascimento, ter flertado intimamente com a indústria dos divertimentos a qual nos promete que “há sempre algo para ser visto”[1].

Mas voltemos um pouco à história do cinema… Ao tempo presente, talvez ainda seja um pouco difícil notar as razões pelas quais o cinema, em seu surgimento, era tido como uma “linguagem universal”. Ora, no princípio, o aspecto linguístico do cinema vinculava-se, paradoxalmente, ao seu estatuto não verbal. Nesse sentido, mudo e desprovido de qualquer tipo de banda sonora falada, o cinema parecia nascer para reconstruir as ruínas de Babel, transcender as barreiras de nação, cultura e classe.

Assim, já na década de 1920, a gramática da nova arte havia sido inventada. Conjugações, declinações de close-ups e de montagem, o “cérebro de metal” era capaz de explorar tudo aquilo que os olhos humanos não poderiam ver: as pequenas cenas de cada dia – fragmentos de realidade – através das quais a câmera não parava de nos dizer, “olhe, esta é a vida!”.

Porém, o cinema mudo não foi eterno. Em 20 anos, o caminho da cinematografia atingia uma nova curva que nos alcança até hoje: conhecia o mundo secreto das palavras, encontrava o ouvido sincero do seu público e incitava-o, através da língua franca, a participar da ideia de nação tal como ela é representada em sua cultura nacional. Filmes se tornaram, assim, a arte de definição para a experiência ética da modernidade.

Imagens desfilando imperturbáveis sobre o écrã, propondo ao espectador perspectivas cambiantes: é a pluralidade dos mundos, envolvendo não apenas movimento, mas a passagem de um mundo a outro, a entrada em outro mundo, efração, exploração. Por meio do cinema, nós somos capazes de produzir e recriar um senso de passado, presente e futuro de nós mesmos em relação aos outros. Ou seja, as películas são cruciais na negociação entre o eu e a cultura em geral.

Em meio a esse breve panorama, no entanto, o cinema continua a sofrer mais uma de suas crises cíclicas. O assunto, como em diferentes épocas, é a juventude. Esta, agora, encontra-se fascinada por outros meios de diversão, porque o videogame ou a Bienal “têm se provado mais divertidos” do que grande parte dos filmes produzidos e exibidos nas últimas décadas.

Imersos nesse contraditório contexto de apogeu e crise, portanto, os ensaios aqui compilados pretendem discutir o world cinema dentro da dimensão de um mundo cultural globalizado, procurando reconstruir a história dessa cinematografia, no sentido de preservar a sua memória e analisar o desenvolvimento – e, quem sabe, a imanência – da linguagem audiovisual.

REFERÊNCIAS

CHARNEY, Leo; SCHWARTZ, Vanessa R. (org.). O cinema e a invenção da vida moderna. São Paulo: Cosac & Naify, 2001.

SONTAG, Susan. Contra a interpretação. Porto Alegre: L&PM, 1987.

__________. Questão de ênfase: ensaios. São Paulo: Companhia das Letras, 2005.


[1] Ver a discussão de Vanessa R. Schwartz sobre O espectador cinematográfico antes do aparato do cinema: o gosto do público pela realidade na Paris fim-de-século, na qual ela coloca que “a vida real [em Paris] era vivenciada como um show, mas, ao mesmo tempo, os shows tornavam-se cada vez mais parecidos com a vida” (SCHWARTZ in CHARNEY; SCHWARTZ, 2001, p. 411).

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