Censura e distribuição de filmes no Irã

Por Yuska Ferreira

Como nos honra a presença auspiciosa dos nossos convidados mais amados, cuja presença efervescente purifica este centro de arte e cultura. Verdadeiros inimigos do hábito do fumo e entusiastas da saúde do corpo e da mente. Quão gratos estamos em testemunhar preciosa companhia ajudando-nos a mantera delicadeza dos hejabs, um sinal de respeito a dignidade islâmica.  (Aviso na entreada da casa de esétáculos Vahdar Hall)

O cinema iraniano sempre esteve muito ligado e vulnerável as mudanças políticas ocorridas no país, mudanças políticas que têm sido bastante conturbadas nas últimas décadas. No governo do xá Reza Pahlevi a economia estava mais aberta aos países estrangeiros, logo o país também tinha mais influência ocidental. Com a queda do xá e a revolução islâmica começaram a haver grandes mudanças econômias, sociais e culturais no país, a então  Repúlblica Islâmica do Irã (RII).

Uma das mais importantes instituições desenvolvidas pelas politícas culturais do Iran  para o fomento da produção cinematográfica no país foi o Kanun : Instituto apara o Desenvolvimento Intelectual da Criança e do Adolescente (Kanun-e Parvaresh Fekri-ye Kudankan va Nowjavanan). A instituição tinha como principal objetivo desenvolver a liberdade dos artista em suas produções e tinha como público os jovens.

Criado pela mulher do xá Reza Pahlevi, a princesa Farah, o instituto motivava a leitura, as artes como pintura e teratro, mas em pouco tempo o cinema ganhou destaque em sua produção em detrimentos de outros setores. Em 1966 o cineasta Kiarostami toma a frente do departamento de cinema convidado por Ebrahim Forouzesh diretor do instituto. Esse período que vai de meados de 1966 até 1979 (um pouco antes da revolução, foi o período mais produtivo do instituto, os filmes geralmente não eram para crianças , mas sim sobre crianças, destacam- se nesse período o filme: The Bread and the street (1970), primeiro filme de Kiarostami,e os cineastas Bahram Beizaie, Xáid-Sales e outros que também começaram suas carreiras como cineastas realizando filmes através da instituição.

O segndo período do Kanun vai do ínicio da revolução até 1990, os principais cineastas desse período foram Kiarostami, Amir Naredi , entre outros, seus filmes tinham geralmente temáticas socias. Já no terceiro período o controle da censura ficou maior e muitos cineastas resolveram optar por produções independentes.  No primeiro período o Kiarostami e Forouzesh eram quem aprovavam os roteiros, já no segundo e terceiro período era o Ministério da Educação.

Com a revolução Islâmica muitas salas de cinema foram acusadas de “centro de corrupção”, 180 salas foram fechadas, algumas queimadas  outras tiveram que mudar de nome. Em 2000 havia 300 salas de cinema no país, com 68 milhões de habitantes, já na época de Pahlevi haviam 400 salas para 30 milhões de habitantes.

O primeiros anos  pós- revolução foi desencorajador para muitos cineastas a produção nacional caiu muito, mas aumentou a importação de filmes

País                                                            1983                                                    1984

URSS                                                             28                                                        29

EUA                                                              12                                                         24

Itália                                                             16                                                         20

Reino Unido                                                   9                                                         15

França                                                            6                                                           5

Iugoslávia                                                       6                                                           1

Japão                                                              4                                                           5

Coréia do Norte                                             2                                                           2

China                                                              1                                                           3

Austrália                                                         1                                                          2

Total                                                              85                                                       106

Já existiam na constituição no começo da revolução Islâmica os seguintes artigos:

O Artigo 24 da constituição afirma que a mídia “é livre para apresentar qualquer matéria, exceto aquelas nocivas ao s principios fundamentais do Islã ou aos direitos do público”

O Artigo 175 afirma que “a liberdade de expressão e disseminação de pensamentos no rádio e na televisão na Repúbluca Islâmica do Irã devem estar de acordo com os critérios islâmicos e com os interesses do páis.

Mas vários filmes eram censurados sem uma explicação, ou motivo claro, inclusive filmes que já tinham sido exibidos no país tinham de ser “purificados”, tinham cenas cortadas ou eram reefilmados, para serem exibidos novamente, ou simplesmente, mesmo com os ajustes eram proibidos. Depois de muitos pedidos e reinvidicacões por parte dos cineastas foi publicada em 1996 uma regulamentação sobre os limites dos diretores no filme:

The Principles and Operational of Iranian Cinema (DEVICTOR, 2002, P.72)

-qualquer insulto ao monoteísmo, aos profetas e aos ímas

-qualquer insulto aos princípios que sustetam o governo islâmico no Irã (velayat-e faqih)

-negar papel da revolução na formulação das leis

-negar a ressurreição e seu papel na evolução do homem através de Deus

-negar a continuidade do líder religioso (Emamat)

-negar o papel da revolução islâmica do Irã sob a liderança de aiatolá Khomeini em livrar os mulçumanos do imperialismo do mundo

-proibição de filmes que tratem de violência, sexo explícito, prostituição e corrupção

-personagens negativos com barba (que poderia ser associado a religiosidade)

-contato físico ou piadas entre homens e mulheres

-piadas sobre exército, polícia ou família

-palavras estrangeiras ou grosseiras

-músicas estrangeiras ou qualquer tipo de música que evoque prazer e alegria

-mostrar de maneira positiva um personagem que prefira a solidão á vida coletiva

-policiais e soldados mal vestidos ou discutindo

-mulheres vestidas indecentemente (as mulheres devem cobrir o corpo e cabelo e não podem usar roupas justas ou coloridas) e maquiadas.

Em 2000 cerca de 70 filmes eram produzidos no Irã, desses apenas 20% são filmes de arte, 10% chegam ao ocidente e outros 80%  são filmes populares. Os principais problemas que os cineastas enfrentam para a produção são: falta de equipamentos, faltas de meios de exibição e por ultimo a TV iraniana que têm um orçamento 5 vezes maior que o do ministério da cultura mas está na mão dos conservadores. Os filmes que são mais incentivados pelo governo são aqueles que elevam o islã e cultura mulçumana, durante a guerra com o Iraque por exemplo o governo cedia tanques e armas para que fossem feitos filmes que exaltassem o exercito iraniano lutando contra o “inimigo da revolução”.

 Centros de produção cinematográfica no Irã

Setores Públicos

– Escritório de Filme, Foto e Produção de Slides (MCOI)

– Farabi Cinema Foundation (MCOI)

-Centro para o Desenvolvimento Experimental de Filmes Semi- Amadores (MCOI)

-Centro Islâmico para o Ensino de Cinema.

-Sociedade do Cinema Jovem (MCOI)

-Fundação do Oprimido

-Centro para Desenvolvimento Intelectual da Criança e do Adolescente

-Voz e Visão na Replública Islâmica (IRIB).

-Ministério da Reconstrução Jehad

-Universidade Jehad

-Comando de Propaganda na Guerra

-Unidade Cultural da Guarda Revolucionária

-Departamento de Filmes do Comitê Revolucionário

-Organização do Trânsito

-Iran Air

Setor semi-público (semigovernamental) 

-Organização da Propaganda Islâmica, Cultura Islâmica e Grupo artístico.

Setor Privado

-Co- produções Internacionais

-Podutoras Independentes

-Copanhias de produção comercial

-Estúdios

Para aprovar o roteiro, pode durar até dois anos. São analisadas a sinopse, o roteiro, e depois figurino, equipe, e por final o filme pronto. Os filmes são classificados como A, B, C ou D, um filme estrangeiro nunca leva mais que B. Em média 600 roteiros são enviados para análise, desses apenas 200 tem permissão de produção, e 80 recebem apoio financeiro de até 60%. Mas mesmo depois de pronto o filme corre o risco de ter a exibição vetada.

Ano         Filmes examinados          Permissão concedida                Permissão negada

1979                    2000                                       200                                           1800

1980                    99                                           27                                             72

1981                    83                                           18                                             65

1982                    26                                           7                                                19

Atualmente o cinema iraniano é reconhecido como arte em vários festivais no mundo, mas muitos desses filmes não são vistos pelos própios iranianos, devido a censura, muitos cineastas ainda são exilados, ou presos em suas próprias casas, mesmo assim o cinema iraniano continua produzindo e criando uma linguegem própria sobre fazer cinema.

 

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