O CINEMA ARGENTINO E O INCENTIVO PÚBLICO NA DISTRIBUIÇÃO

Por Camille Reis

Na América Latina, o cinema independente se encontra em um beco com três saídas estreitas para financiamento: editais nacionais de incentivo público, editais e concursos de coproduções internacionais ou patrocínio de empresas privadas de audiovisual. Mas como o continente possui muitos países pequenos cheios de peculiaridades, focaremos apenas nos dois principais países no quesito cinematográfico: Brasil e Argentina.

A principal e mais interessante diferença entre os incentivos públicos desses dois países está na etapa produtiva de maior investimento. Enquanto que os editais públicos no Brasil financiam as etapas da produção e pós produção do filme, o incentivo público do governo argentino se concentra fortemente na distribuição dos filmes independentes. Além de construir novos cinemas de rua, o INCAA (Instituto Nacional de Cine y Artes Audiovisuales) garante a distribuição dos filmes nacionais em salas multiplex através da cota de tela e exclusividade em salas de cinema em órgãos públicos.

Mas isso não quer dizer que a Argentina não se preocupa com a produção dos seus filmes. O país firma contratos de coproduções internacionais e grandes empresas nacionais de comunicação mantêm o sistema funcionando. Garantindo a distribuição dos filmes produzidos na Argentina, o INCAA consegue escoar a produção, criar um público crescente e ganhar reconhecimento internacional, importante para futuros acordos de coprodução.

No Brasil, foram lançados 127 filmes brasileiros em 2013, mas eles ocupam apenas 18% das salas de cinema. Já na Argentina, 40% das salas foram ocupadas por 132 filmes nacionais em 2012. Mas a participação na bilheteria perde para os filmes brasileiros, já que

muitas salas independentes são custeadas pelo goveno e possuem preços simbólicos. Uma das estratégias de ação do INCAA é a criação de salas dentro e fora do país para exibição exclusiva de filmes argentinos, os chamados Espacios Incaa. Desse modo, o governo argentino investe no futuro do cinema nacional, garantindo a construção de um público fiel, engranagem necessária para fazer o sistema cinematográfico funcionar.

Um exemplo da diferença na distribuição argentina e brasileira é o filme Corazón de León (2013), que foi coproduzido pela Ancine e pelo Incaa. Logo no primeiro final de semana nos cinemas, o filme teve mais de 385 mil espectadores na Argentina. Já no Brasil, seu lançamento foi adiado para o dia 9 de maio de 2014. Quantos brasileiros irão aos cinemas para serem arrebatados por um Corazón de León? 

REFERÊNCIAS:

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