A PRODUÇÃO AUDIOVISUAL NO MÉXICO

Histórico da situação no país desde a década de 40 à criação do Imcine

Por Guilherme Gomes Cavalcante Ferreira

Na década de 40, alguns poucos anos depois do surgimento do som óptico, o cinema estava em constante desenvolvimento, incluindo a América Latina. O México, junto com Brasil e Argentina, formou o trio de indústrias de audiovisual que mais produziam na época e que dominaram grande parcela da produção durante as décadas seguintes. O país possuía na época um modelo industrial semelhante aos Estados Unidos, com seu próprio star system, atores consagrados internacionalmente. Essa época de ouro do cinema teve seu auge quando o filme “Maria Candelária” venceu o grande prêmio no Festival de Cannes em 1946.

O país obtinha o status de grande potência do cinema latino até meados da década de 80, quando se instalou o modelo econômico neoliberal (semelhante ao que houve no Brasil na mesma época com a chegada de Fernando Collor a presidência), e o governo extinguiu a principal empresa de cinema do país, a Películas Mexicanas (Pelmex). Além disso, a grande responsável pela distribuição de filmes, Cotsa, também foi extinta. Nos anos 90, o país que obtinha o status de potência cinematográfica mundial viu ruir toda uma indústria solidamente construída durante décadas.

Para se ter um panorama em números da disparidade entre os dois momentos: entre os anos de 1984 e 1993 produziu-se uma média de 747 filmes e entre 1994 e 2003 apenas 212 produções. Ou seja, demonstra a queda de 71,6% da produção entre um período e outro. A grande difusão do cinema norte-americano no país também é um fator que contribuiu para o baixo número de espectadores.

Contudo, no início deste século houve o que se pode classificar como uma “retomada” do cinema mexicano, graças a diversos fatores. Alguns longas-metragens configuraram grandes sucessos comerciais que além de trazerem atenção em festivais e circuitos de cinema mundial, despertaram novamente um interesse do público. Cineastas como Alfonso Cuáron (Y Tu Mamá También), Alejandro Gonzalez Inãrritu (Amores Brutos) e Guillermo del Toro (O Labirinto do Fauno) viram seus trabalhos ganharam projeção internacional e seus nomes reconhecidos entre os cineastas de outros países. Não se podem classificar esses êxitos dentro de uma perspectiva de recuperação do mercado, pois o México não voltou a produzir como antes em seu auge. Em relatório produzido em 2005 pelo Fidecine, sobre a situação do cinema mexicano, a sentença destacou o seguinte:

“O cinema mexicano voltou ao nível mínimo para ser considerado como uma indústria cultural ativa”.

Em 1983, foi criado o Imcine, Instituto Mexicano de Cinematografia, “um organismo público descentralizado que impulsiona a atividade cinematográfica nacional através do apoio à produção, estímulo aos criadores, o fomento industrial e a promoção, distribuição, difusão e divulgação do cinema mexicano”.

No que diz respeito ao estímulo a produção, o organismo possui dois meios distintos que coordena as atividades: o Foprocine, fundo que apoia principalmente o cinema de autor e experimental; e o Fidecine, que promove principalmente o “bom cinema comercial”. O instituto também coopera com outros organismos internacionais como o Ibermedia, órgão argentino que coopera com vários países do continente e com a Espanha.

Uma das saídas encontradas durante esses anos de dificuldades de financiamento em geral no cinema latino tem sido a integração cultural entre alguns países, resultando em projetos de coprodução. Um filme recente que foi realizado dessa forma é “Depois de Lúcia” de Michel Franco, uma coprodução entre México e França. Esses países europeus têm sido vistos como grandes parceiros dos países latinos, pois através de iniciativa privada investem em grande parte em projetos que valorizam culturalmente o país como também dão oportunidade a diretores que imprimem uma marca mais autoral em seus filmes. O vínculo com o cinema produzido na Europa é uma forma inclusive de fazer com que as produções tenham mais visibilidade nos grandes festivais de cinema internacional que ocorrem durante todo o ano.

Depois de Lúcia, de Michel Franco, premiado na mostra Um Certo Olhar no Festival de Cannes de 2012

Depois de Lúcia, de Michel Franco, premiado na mostra Um Certo Olhar no Festival de Cannes de 2012

Em estatísticas mais recentes, dos anos 90 pra cá houve um aumento significativo nas salas de cinema no México, graças à popularização da cadeia de cinemas Cinermark, o que atraia boa parcela da população, mesmo que ainda esteja submetido à hegemonia do cinema norte-americano, aspecto comum em todo o continente. Outro fato interessante que ilustra a distribuição cinematográfica mexicana é o lançamento de filmes no formato de DVD. Pra ilustrar em dados: em 2007, 12% de filmes mexicanos foram lançados nesse formato. Em 2008, esse número chegou à marca de 25,5%. (http://www.imcine.gob.mx/registro-de-pelculas-mexicanas-en-formato-dvd.html)

Em dados no site do Imcine, o gráfico informa que em 2011, estrearam 51 filmes mexicanos apoiados pelo Estado, número superior a quantidade registrada entre os anos de 2006 até 2010. (http://www.imcine.gob.mx/pelculas-estrenadas-en-mxico-1.html)

Os dados permitem observar que o Imcine, desde sua criação tem sido de grande importância para manter a produção audiovisual mexicana nos eixos, mesmo que devido a dificuldades de mercado comum em qualquer país com contextos de economia frágil, sempre sujeitos a dominância do cinema americano.

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