O CINEMA IRAQUIANO

Por Lara Buitron

O cinema iraquiano se desenvolveu na década de 1940. O Estúdio de Bagdá se estabeleceu em 1948.

Na década de 1940 , sob o governo do rei Faisal II do Iraque, um cinema iraquiano verdadeiro começou. Financiado pelo capital privado estrangeiro, mais precisamente britânicos e franceses, as empresas de produção de filmes se estabeleceram em Bagdá. O Bagdá Studio foi criado em 1948, mas logo se acabou, quando as tensões religiosas e políticas entre os fundadores árabes e judeus se acendeu. A maioria dos filmes eram romances leves e comerciais e alguns musicais alegres.

Em meados da década de 1950 foi criado o Dunyat Alfann estúdio, fundado por atores, resolve dar is vazão ao drama. Em 1955, eles produziram Fitna wa Hassan, um filme de Haidar Al-Omar, uma releitura iraquiana de Romeu e Julieta, que recebeu atenção internacional. Apesar de alguns dramas de sucesso a maioria dos filmes era censurada pelo Estad quando abordava situações sociais.

A década de 1960

Em 1959, quando o governo do Rei Faisel II foi derrubado, foi criada a organização Cinema e Teatro Geral, com a finalidade de promover a política do novo regime, tanto em documentários quanto em ficções. Foi a época dos documentários, na maioria das vezes (para não dizer sempre) financiado pelo Estado, celebrando o poder bélico do Iraque.

A revolução 1968 que colocou o partido Baath no poder solidificou ainda mais o controle do governo do material do filme, e a necessidade do Estado em fazer e financiar filmes para validar e solidificar seu poder.

 A Era Saddam Hussein

A ascensão de Saddam Hussein ao poder em 1979 empurrou o cinema iraquiano em uma direção um pouco diferente, agora em vez de solidificar o poder bélico e o Estado, o cinema iraquiano mitificava a história e a cultura iraquiana e celebrar a figura de Saddam Hussein.

As produções continuavam sendo financiadas pelo governo, agora com menos recursos, graças à guerra Irã-Iraque, os poucos filmes produzidos eram propaganda patriótica e culto à Hussein.

Em 1981, o governo encomendou cineasta egípcio Salah Abouseif o filme épico Al-Qadisiya, que contava os triunfos doas árabes sobre os persas em 636 A.C. Foram produzidos vários filmes como esse, inclusive um épico sobre o próprio Saddam Hussein, que tem 6 horas de duração e foi parcialmente editado e dirigido por Terrence Young, o diretor britânico que fez seu nome nos primeiros filmes de James Bond.

A invasão Americana e depois

O Iraque foi invadido em 2003 por tropas norte-americanas e britânicas, desde então houve uma queda, sinistra, de toda e qualquer produção artística e o cinema foi levado junto. Da invasão até 2009 dos 68 cinemas da capital Bagdá apenas dois sobreviveram, mesmo assim foram deixados às traças, até meados de 2010, quando o filme “Filho da Babilônia”, de Mohamed al-Daradji, foi exibido em um desses cinemas. O filme conta a história de um garoto e sua avó em busca do pai dele, filho dela, no caos em que vivia o país semanas depois da queda de Saddam Hussein.

Para obter financiamento, Mohamed abordou autoridades iraquianas, tanto curdas quanto árabes, que se opuseram a personagens ou mensagens. Alguns, segundo ele, sabotaram seu pedido. “Parecia que eles discordavam entre si, mas concordavam a meu respeito”. Outros nunca responderam. Ele acabou financiando o filme, de US$ 1,5 milhão, com dinheiro estrangeiro.

Mohamed al-Daradji é um dos maiores e mais influentes diretores do Iraque hoje, e, junto com Oday Rasheed, tenta estimular a produção e o consumo do cinema no país, com o Iraqi Independent Film Center. Dentre os projetos da dupla dois chamam atenção: um oficina de curtas para jovens cineastas iraquianos, financiada e apoiada pela Human Film, organização independente do Reino Unido, o projeto reuniu jovens roteiristas, editores e diretores com crianças que vivem em um orfanato de Bagdá. O resultado da oficina foram seis curtas, quatro dos quais estrearam no DIFF (Dubbai International Film Festival) – também apoiador do projeto, e também dois que já foram exibidos em Londres e Berlim.

O segundo projeto é a preservação e recuperação da história cinematográfica do país, eles são recolhendo os filmes produzidos ao longo dos anos e mandando para França para que sejam recuperados. O projeto em tese teria apoio do Ministério da Cultura, porém os dois cineastas alegam que não recebem nenhum tipo de apoio e por isso tentam conseguir financiamento privado internacional.

Hoje os diretores iraquianos tem toda liberdade para produzir seus filmes, mas falta infra-estrutura e financiamento, e é aí que o centro de Rasheed e  al-Daradji entra tentando estruturar o máximo possível o caos em que se encontra o cinema iraquiano.

Universidades e Shopping Centers

Pela falta de salas no país a formação de público é um trabalho de formiguinha o que se torna mais difícil quando nem mesmo a graduação em artes no Iraque é lavada à sério, segundo Bashar Kazem, um jovem diretor de cinema e crítico, as universidades de artes não formam artistas. A metodologia utilizada no programa é clássica e acadêmica, sem os componentes práticos ou medidas para manter-se com a evolução tecnológica. Assim, há uma falta de pessoal técnico capaz de fazer um filme. Além disso muitos jovens estudantes recorrem a faculdades de artes e institutos dadas as suas fracas realizações acadêmicas no ensino médio. Assim, eles estão lá apenas para obter um diploma, não por causa do talento ou competência. Além do nível acadêmico fraco de artes, cinema, Kazem observou, “O que faz com que o número de estudantes de cinema particularmente sem sentido é a falta de instituições que apóiam as atividades de cinema.”

Além da falta de instituições apoiadoras há também a falta de salas no país, então a notícia de que um Shopping da cidade de Erbil receberia 5 salas de cinema foi amplamente comemorado pelos amantes da sétima arte no país, já que durante a invasão norte-americana os cinemas e teatros no país foram simplesmente liquidados (literalmente, caíram a baixo).

Primeira filial da empresa, que financiará as salsa de cinema no shopping, é no Clube de caça iraquiano, em Bagdá. A idéia da empresa é apoiar a cultura cinema no Iraque e exibir filmes estrangeiros e árabes, para a formação de um público comercial. A abertura dessas salas sem apoio do governo ou externo, revela que  há juventude ativa trabalhando para entregar uma mensagem para o mundo exterior de que o Iraque está interessado em evoluir e acompanhar o ritmo de outros países, porém também significa que o capital privado ganhará muito com o cinema.

FILMOGRAFIA

  • Son of Babylon
  • Qarantina
  • Reviving Iraq’s film industry
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