JAPÃO: STUDIO GHIBLI

Por Alan Campos Araújo

A animação no Japão sempre foi bastante sucedida, com animes como Akira, Pokémon, Digimon, Dragon Ball, sendo verdadeiros fenômenos mundiais. Criado em 1985, o Studio Ghibli se tornou um dos maiores estúdios de animação do mundo, tendo como um de seus fundadores uma das figuras mais importantes do cinema mundial, Hayao Miyazaki. Com a maioria dos filmes sendo dirigidos Miyazaki, o estúdio em seus quase 30 anos de carreira se mantém bem sucedido perante público e crítica mundial, tendo acumulado diversos prêmios. Além de filmes, o estúdio produziu diversos curtas metragens, comerciais e filmes para TV, porém as obras que mais fazem sucesso são seus filmes para cinema. Tendo A Viagem de Chihiro, 2001, como o anime de maior bilheteria de todos os tempos, alcançando mais de 250 milhões de dólares mundialmente e sendo o filme de maior bilheteria no Japão.

O nome do estúdio vem do vento oriundo do mediterrâneo. A metáfora é feita fundadores por causa da vontade de “soprar um novo vento” na indústria de animação japonesa. E de fato, os filmes do Ghibli conseguem oferecer experiências satisfatórias tanto para crianças como para adultos. As histórias possuem temas bastante variados, tais como humanismo e pacifismo, como é o caso do filme Túmulo dos Vagalumes, Isao Takahata, 1988 que mostra as consequências da guerra sob o ponto de vista de dois irmãos. Já um dos maiores sucesso do estúdio, Meu Amigo Totoro, Miyazaki, 1988, se trata das aventuras de uma menina no bosque ao redor de sua casa, traçando um retrato belo dos “dias infinitos” da infância.  A Princesa Mononoke e A Viagem de Chihiro, 1997 e 2001, ambos dirigidos por Miyazaki se consagraram com as obras mais maduras do estúdio. Amados tanto por adultos como por crianças, esses filmes intimistas conquistaram dezenas de prêmios em seus respectivos lançamentos, tendo Chihiro ganho o Oscar de melhor animação, sendo o único anime a conseguir tal feito, e o Urso de Ouro no festival de Berlim. Outro fator que contribui bastante para o sucesso do Ghibli são seus personagens. O universo dos seus filmes é povoado por criaturas bizarras que são criativamente desenhadas, como o gato ônibus de Meu Amigo Totoro, ou o Dragão branco de A Viagem de Chihiro. Outros animais incluem diversos felinos e pássaros que conquistam o coração de diversas crianças. Porém os personagens que mais recebem simpatia do público são as heroínas de personalidade forte, em sua maioria crianças, que arriscam tudo em busca de aventuras, ou a fim de satisfazer sua curiosidade.

Um das características mais importantes para o alto padrão de qualidade das animações da Ghibli é o entendimento que acontece entre os produtores e diretores em relação ao corte final. O resultado final é feito, tendo-se visado exclusivamente à qualidade artística do material, não retirando ou remontando devido a limites impostos. Essa politica já gerou diversos rumores sobreo estúdio, o mais famoso é que a Miramax, que distribuiu o filme internacionalmente, queria fazer cortes em Princesa Mononoke para o lançamento nos Estados Unidos, O Ghibli respondeu enviando uma Katana, a espada dos Samurais, ao estúdio, com os dizeres “Nada de cortes”. Esse tipo de controle pelo material que o Ghibli detém permite que seus espectadores assistam a suas obras como elas foram originalmente pensadas e concebidas, garantindo o respeito e a confiança dos fãs. A Ghibli também adota uma política de apenas produzir um anime por ano, não relacionados a series de TV, para valorizar e dar a cada filme seu tempo de produção e exibição. Tornando a expectativa de um ano entre cada anime um evento bastante esperado pelos seus apreciadores. Uma jogada bastante arriscada que até agora tem se provado bem sucedida.

Obviamente todo o sucesso da Ghibli não se deve exclusivamente ao talento e criatividade de seus animadores. O estúdio reconhece a importância da televisão e de outros meios midiáticos na distribuição, e até realização, de filmes de sucesso. Com diversos filmes feitos para a TV sendo distribuídos para diversas regiões da Ásia, a popularidade desses filmes só tende a aumentar. Ressaltando que a maioria dos filmes japoneses exportados para o restante da Ásia são animações, por isso não faria sentindo o Ghibli não se beneficiar dessa plataforma midiática maciça.  Com conexões e acordos com meios televisivos é fácil entender o porquê dos filmes serem tão valorizados no Japão e fora dele. E como vêm diversas outras oportunidades, como a fabricação de bonecos e bichos de pelúcia, a promoção do filme pelas regiões também aumenta os contatos de parceria para futuros negócios. Porém um dos aspectos que o Ghibli não utiliza, ou utiliza pouco, é a exportação do material original para outras mídias, tais como videogames. Também não ocorre com frequência a expansão do universo narrativa para outras artes, como mangás.

Hoje em dia já é possível afirmar que o Ghibli é o único estúdio capaz de rivalizar com os estúdios da Disney, sendo até constantemente comparado e Miyazaki sendo aclamado como o Walt Disney moderno. Ambos os estúdios possuem uma parceria desde 1996, onde a Disney distribuiria produções do Japão fora da Ásia, enquanto que os filmes do Ghibli recebiam investimentos da empresa americana. As comparações não se limitam apenas a aceitabilidade que os filmes desses estúdios possuem com o público, e sim que ambos souberam muito bem se adequar a novos tempos e novas tecnologias. A utilização de computação gráfica nos filmes vem desde 1992, com o filme Porco Rosso- O Ultimo Herói Romântico, Miyazaki, que também se tornou a maior bilheteria do Japão naquele ano. Enquanto que o constantemente citado Mononoke se tornou inovador no uso do CGI, cinco anos mais tarde de Porco Rosso, e no uso das cores digitalizadas. A absorção de novas tecnologias sempre obteve boa resposta do público, como demonstra o resultado nas bilheterias alcançadas no Japão e no ocidente.

 No festival de Veneza de 2013, enquanto mostrava o inédito The Wind Rises, Miyazaki anunciou que esse seria seu ultimo filme e que estava se aposentando definitivamente do cinema. A saída de Miyazaki encerra um dos capítulos do Ghibli, que com o passar dos anos só vem cuidado ainda mais do legado de suas animações. Isso inclui a construção de um Museu do estúdio, inaugurado em 2001 em Tokyo. A produção teatral da adaptação de Mononoke entrou em cartaz em 2013, expandindo a história para novas audiências. E atualmente os filmes estão sendo mais valorizados do que nunca, diversos críticos e jornais enaltecem o Papel único da Ghibli na animação mundial. Sendo que duas produções recentes dirigidas por Miyazaki, O Castelo Animado e Ponyo, respectivamente de 2004 e de 2008, receberam aclamação mundial quando foram lançadas no festival de Veneza. Em 2014 o estúdio pode repetir sua história, já que The Wind Rises está indicado ao Oscar de melhor animação. Todos esses filmes mostram que a qualidade dos filmes não foi alterada em nada em comparação aos clássicos dos anos 80 e 90, é torcer para que a qualidade continue com a saída de Miyazaki.

Fontes:
Wikipédia: Hayao Miyazaki, Studio Ghibli.

Links Recomendados:
Página oficial do museu Ghibli. (em Inglês)
Informações sobre o museu. (em Inglês)

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